Uma massa de ar polar avança sobre Mato Grosso do Sul nesta sexta-feira, 21 de agosto, derrubando temperaturas em todo o estado enquanto pancadas de chuva se concentram no oeste e noroeste — incluindo municípios como Corumbá, Porto Murtinho e Aquidauana. O fenômeno é reflexo do mesmo sistema que gerou um ciclone extratropical no Sul do país e agora se desloca para o oceano, mas deixa para trás um corredor de ar frio que atravessa o Centro-Oeste.
O avanço polar integra uma sequência de eventos climáticos que afeta simultaneamente três grandes regiões brasileiras — Sul, Sudeste e Centro-Oeste — com graus distintos de intensidade. Em Mato Grosso do Sul, a grande extensão territorial do estado cria diferenças marcantes: enquanto o frio predomina por todo o território, as chuvas ficam restritas à faixa mais a oeste, e o restante do estado deve ter sol com umidade baixa ao longo do dia.
Segundo o monitoramento da Climatempo, a massa polar se mantém ativa sobre Mato Grosso do Sul durante toda esta sexta-feira, o que garante temperaturas abaixo da média para a época. A previsão indica que o extremo sudoeste do estado — que faz fronteira com o Paraguai e com a Bolívia — é a área com maior probabilidade de registrar pancadas de chuva, em um corredor que inclui o sul do Pantanal sul-mato-grossense. Cidades como Corumbá e Porto Murtinho, conhecidas pela seca intensa desta época do ano, podem ter alívio pontual na umidade.
No restante do estado — abrangendo desde Campo Grande até Três Lagoas, passando por Dourados, Ponta Porã e Naviraí — o tempo deve ficar mais firme, com sol entre nuvens e umidade relativa do ar potencialmente baixa durante a tarde. Produtores rurais que atuam no norte e leste do estado devem redobrar atenção com a seca do ar, que pode intensificar o risco de queimadas em áreas de pastagem e cerrado.
O mesmo sistema polar que esfria o Centro-Oeste atinge com muito mais força os estados do Sul e do Sudeste. Em Santa Catarina e no Paraná, as rajadas de vento chegam a 70 km/h no centro-leste dos dois estados. O Rio de Janeiro é o ponto mais crítico desta sexta: ventos entre 70 e 90 km/h são esperados para a noite, acompanhados de chuva moderada a forte na Região Metropolitana, na Costa Verde e na Região Serrana fluminense.
Em São Paulo, além das rajadas próximas de 70 km/h no litoral norte e na Baixada Santista, o interior paulista enfrenta ventos que levantam poeira — um cenário familiar ao morador do interior de Mato Grosso do Sul durante períodos de estiagem. No Rio Grande do Sul, onde o ciclone extratropical ainda deixa rastros, há chuva fraca a moderada no litoral e no norte, além de risco de geada pela manhã na Campanha e no sudoeste gaúcho.
Para quem vive e trabalha em Mato Grosso do Sul, o saldo desta sexta é de frio persistente e atenção redobrada nas regiões de fronteira. O pecuarista que atua no Pantanal precisa acompanhar a evolução das chuvas no oeste — bem-vindas após semanas de estiagem, mas capazes de dificultar a movimentação de gado em áreas alagadiças. Já o morador de Campo Grande e de cidades do interior deve preparar agasalho para a manhã e a noite, pois as temperaturas tendem a ser as mais baixas da semana.
O comportamento dessa massa polar ao longo do fim de semana ainda é monitorado pelos serviços meteorológicos. A tendência, segundo os modelos climáticos, é de gradual enfraquecimento do sistema a partir de sábado, com recuperação das temperaturas — embora o calor intenso típico do mês de agosto em MS deva demorar alguns dias para voltar. O INMET e a Climatempo seguem emitindo boletins de acompanhamento para as áreas mais afetadas.
Fontes: CLIMATEMPO, CANAL RURAL