Um veranico intenso que começou a se consolidar na quarta-feira, 12 de agosto, deve manter o Brasil sob calor acima da média por pelo menos uma semana, com Campo Grande entre as capitais com risco de registrar novo recorde de temperatura para 2026. Em Mato Grosso do Sul, as máximas previstas ficam entre 36°C e 39°C, enquanto estados vizinhos como Goiás e Mato Grosso podem chegar a 42°C. O período seco e quente deve se estender até pelo menos o dia 19 de agosto, afetando áreas agrícolas, pastagens e aumentando o risco de incêndios rurais.
O veranico de agosto é uma interrupção prolongada das chuvas em plena estação seca — e este, segundo meteorologistas, carrega características mais severas que a média histórica do período. A diferença em relação ao padrão climático típico de agosto pode superar 5°C em partes do Centro-Oeste, o que coloca produtores rurais e gestores de recursos hídricos em estado de alerta em todo o estado.
A formação do veranico está ligada ao fortalecimento de uma área de alta pressão sobre o interior do país, que bloqueia a chegada de frentes frias vindas do sul e reduz drasticamente a cobertura de nuvens. Mas há um ingrediente adicional que agrava o quadro: a entrada de ar quente e úmido proveniente da Amazônia. A meteorologista Andréa Ramos explica que essa combinação é o que diferencia este evento. "Esse calor, esse ar quente vindo da Amazônia, juntamente com essa interface, essa linha da alta pressão, causa essa instabilidade", disse a especialista. Segundo ela, a mistura entre calor, umidade e sistemas de pressão pode provocar rajadas isoladas de instabilidade mesmo num período dominado pelo tempo seco — sem, no entanto, aliviar a estiagem de forma significativa.
As tardes tendem a ser os momentos mais críticos, com temperaturas pelo menos 3°C acima da média histórica de agosto na maior parte das regiões afetadas. Em pontos do Centro-Oeste e Norte do país, essa diferença pode alcançar 5°C — o suficiente para empurrar os termômetros para a casa dos 40°C a 42°C em Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí.
Para o produtor rural de Mato Grosso do Sul, o veranico chega em um momento de atenção redobrada. O calor acima de 37°C combinado com baixa umidade relativa do ar eleva rapidamente a demanda hídrica das lavouras — especialmente em áreas com culturas de inverno ou pastagens já desgastadas pelo período seco que antecede agosto. Sistemas de irrigação entram em regime intenso, e o consumo de água pelos rebanhos também aumenta consideravelmente.
O risco de queimadas é outro fator preocupante. A vegetação ressecada, o vento seco e as temperaturas extremas formam o cenário ideal para a propagação de incêndios em áreas rurais. O estado já acumula registros elevados de focos de calor em 2026, e um veranico desta magnitude pode piorar o quadro nas próximas semanas, sobretudo nas regiões do Pantanal e do Bolsão sul-mato-grossense.
A previsão oficial aponta que o veranico deve se manter pelo menos até 19 de agosto, mas a intensidade do calor e a distribuição das áreas mais secas podem variar ao longo dos dias. Capitais como Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Palmas são as que concentram maior probabilidade de bater recordes de temperatura para o mês de agosto em 2026. Depois do dia 19, há incerteza sobre a chegada de uma nova frente fria capaz de romper o bloqueio atmosférico e trazer alívio às regiões mais afetadas.
Especialistas recomendam o acompanhamento diário das atualizações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e dos serviços estaduais de meteorologia, especialmente para quem atua no campo. Ajustes no manejo da irrigação, no monitoramento de pastagens e nas práticas de prevenção a incêndios são as principais medidas indicadas para o período. Para a população urbana, o alerta é para hidratação, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h e atenção redobrada a grupos de risco — crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Fontes: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS, INMET