A segunda-feira, 10 de agosto, ficou marcada como um dos dias mais extremos de 2026 para o centro-oeste e o norte do Brasil: o município de Goiás (GO) atingiu 41,4°C às 16h, o pico mais alto registrado pelo Inmet em todo o país nesta data, enquanto pelo menos 47 municípios amargaram umidade relativa do ar igual ou inferior a 15% — faixa considerada de emergência pela Organização Mundial da Saúde.
A massa de ar quente e seco que dominou a semana teve seu epicentro espalhado entre o norte goiano, o leste mato-grossense, o sul do Tocantins e o norte de Minas Gerais. Para Mato Grosso do Sul, o cenário representa alerta direto: o estado compartilha dinâmica climática com essa faixa e tende a sentir os reflexos do calor extremo nas próximas 48 a 72 horas, especialmente no norte e nordeste sul-mato-grossense.
Depois de Goiás (GO), a cidade de São Miguel do Araguaia (GO) registrou 41,1°C, sendo os dois únicos municípios monitorados a ultrapassar a barreira dos 41 graus. Em Mato Grosso, o dia foi igualmente brutal: Rondonópolis, Nova Xavantina e Cocalinho chegaram juntos a 40,7°C. Formoso do Araguaia (TO) fechou em 40,5°C, enquanto Novo Santo Antônio (MT), Aragarças (GO) e Querência (MT) também ficaram na faixa dos 40 graus.
Em Goiânia, a capital goiana bateu o maior calor de agosto desde que a estação meteorológica convencional foi fundada: 38,3°C. Já no Distrito Federal, a segunda-feira superou o domingo consecutivamente — a estação do Gama chegou a 34,3°C, novo recorde anual, enquanto Brasília registrou apenas 18% de umidade, o menor índice da capital federal em todo o ano de 2026.
A seca do ar preocupa tanto quanto o calor. O município mineiro de Araçuaí (MG) registrou a umidade mais baixa do dia: apenas 10%, nível comparável ao do deserto do Saara. Espinosa (MG) e Gaúcha do Norte (MT) alcançaram 11%, enquanto Montes Claros (MG), Mocambinho (MG) e a própria cidade de Goiás (GO) marcaram 12%. Ao todo, os 47 municípios em estado crítico de umidade cobrem uma área que vai do sertão mineiro até o cerrado mato-grossense.
Nesses níveis, o risco de desconforto respiratório, desidratação rápida e agravamento de doenças pulmonares cresce de forma significativa. Médicos e autoridades de saúde recomendam ingerir pelo menos dois litros de água por hora durante exposição ao sol, evitar atividades físicas no período das 10h às 16h e manter ambientes com alguma forma de umidificação.
O norte de Mato Grosso do Sul — especialmente as regiões de Coxim, Costa Rica e Chapadão do Sul — é o ponto mais vulnerável do estado neste tipo de configuração atmosférica, por fazer fronteira climática direta com o cinturão de calor identificado pelo Inmet. Produtores rurais da região precisam redobrar atenção com pastagens ressecadas, animais sem acesso adequado à água e risco elevado de incêndios em áreas de cerrado.
Em Campo Grande, o calor segue acima da média histórica para agosto, e a tendência é de manutenção das condições secas ao longo da semana. A Defesa Civil do Estado mantém alertas ativos para queimadas e orienta a população a não atear fogo em nenhuma circunstância enquanto a umidade permanecer abaixo de 20%. O Inmet deve divulgar novo boletim climático nos próximos dias com a projeção para o restante da semana.
Fontes: INMET