Mato Grosso enfrenta uma nova onda de incêndios florestais que já provocou a destruição de milhares de hectares de vegetação, prejuízos ao setor rural e impactos diretos na vida das comunidades atingidas. De acordo com informações divulgadas por órgãos de monitoramento e equipes de combate ao fogo, uma das situações mais preocupantes ocorre no norte do estado, onde um rebanho de aproximadamente 250 cabeças de gado ficou cercado pelas chamas, exigindo esforços emergenciais para o resgate dos animais.
Um dos focos mais graves foi registrado na região de Nova Santa Helena, onde cerca de 15 mil hectares já foram consumidos pelo fogo. O município chegou a figurar entre os locais com maior número de focos de calor do país nos últimos dias, evidenciando a intensidade da ocorrência.
Em Paranatinga, outro incêndio de grandes proporções chamou a atenção das autoridades. Monitoramentos por satélite classificaram o episódio como um incêndio grave, com estimativa de área queimada de aproximadamente 37,3 mil hectares, equivalente a 373 quilômetros quadrados.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, equipes atuavam simultaneamente em incêndios registrados nos municípios de Nova Santa Helena, Paranatinga, Novo São Joaquim, Rosário Oeste e Juara. As operações contam com apoio de brigadistas, aeronaves, viaturas especializadas, equipes da Força Nacional e maquinários disponibilizados por produtores rurais.
Condições climáticas favorecem avanço do fogo
As altas temperaturas, a baixa umidade relativa do ar e os ventos intensos têm contribuído para a rápida propagação das chamas em diferentes regiões do estado. Essas condições dificultam o trabalho das equipes de combate e aumentam o risco de o fogo atingir novas áreas de vegetação, reservas ambientais e propriedades produtivas.
Em algumas localidades, o incêndio já comprometeu a infraestrutura rural. Árvores queimadas tombaram sobre estradas e chegaram a danificar redes elétricas, provocando transtornos para moradores e produtores.
Fumaça afeta saúde dos moradores
Além dos danos ambientais e econômicos, a fumaça tem causado impactos na saúde da população. Em regiões próximas aos focos de incêndio, moradores relataram aumento de problemas respiratórios, crises alérgicas e dores de cabeça. Unidades de saúde registraram crescimento na procura por atendimento, especialmente em comunidades rurais expostas à fumaça constante.
A redução da visibilidade também preocupa autoridades e moradores, principalmente em áreas de assentamento e estradas rurais, onde a fumaça dificulta a circulação e aumenta os riscos de acidentes.
Prejuízos ao agronegócio
No campo, os impactos vão além da perda imediata das áreas atingidas. Produtores relatam preocupação com a destruição das pastagens e dos recursos necessários para manter os rebanhos nos próximos meses. Em uma das propriedades afetadas, o produtor Luiz Lemos Martins tenta salvar cerca de 250 animais cercados pelo fogo, enquanto avalia os prejuízos provocados pela perda da vegetação utilizada para alimentação do gado.
A situação é especialmente delicada porque ainda faltam meses para o início do período chuvoso, o que pode comprometer a recuperação natural das áreas queimadas.
Mato Grosso registrou 137 focos de calor em apenas 24 horas
Dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram o registro de 137 focos de calor em Mato Grosso em apenas 24 horas. Desse total, 79 foram identificados no Cerrado, 56 na Amazônia e dois no Pantanal. Outros 50 focos ocorreram em terras indígenas.
A maior concentração foi observada na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis, seguida por áreas indígenas localizadas em General Carneiro, Paranatinga e outros municípios da região.
Embora foco de calor não signifique necessariamente um incêndio florestal em andamento, os números reforçam o alerta para o aumento do risco de queimadas durante o período de estiagem e de clima extremo registrado no Centro-Oeste brasileiro.
Fonte: NSC Total, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) e dados do Programa BDQueimadas/Inpe.