Os Correios abriram uma nova rodada do Plano de Demissão Voluntária (PDV), com potencial para atingir até 7 mil funcionários. A medida integra o plano de reestruturação da estatal, que enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história e tenta reduzir despesas para conter prejuízos bilionários.
As inscrições foram abertas em 20 de agosto e seguem até 30 de setembro. O programa é voltado principalmente para empregados lotados em unidades que serão fechadas ou afetadas pelo processo de reorganização da empresa.
Segundo os Correios, o novo PDV atende funcionários de agências, centros de tratamento e estruturas de armazenamento de cargas que poderão ser extintos durante a reestruturação da rede operacional.
Crise financeira pressiona estatal
A medida surge em meio ao agravamento da situação financeira da empresa. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões, valor 82,35% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
A expectativa é de que o resultado negativo de 2026 se aproxime de R$ 10 bilhões, ampliando as dificuldades enfrentadas pela estatal. Em 2025, os Correios já haviam encerrado o exercício com prejuízo recorde de aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
Entre os fatores apontados para a deterioração das contas estão a queda nas receitas, o aumento de despesas operacionais e o crescimento das obrigações judiciais.
Primeiro plano teve adesão abaixo da meta
No primeiro PDV de 2026, lançado em fevereiro e encerrado em março, a empresa pretendia alcançar 10 mil desligamentos voluntários. Entretanto, pouco mais de 3 mil empregados aderiram ao programa.
Mesmo sem atingir a meta inicial, os Correios afirmam que a medida gerou economia equivalente a cerca de 45% dos R$ 1,4 bilhão previstos no plano original.
Valores das indenizações
De acordo com as regras divulgadas pela estatal, o valor do incentivo será calculado individualmente, considerando fatores como tempo de serviço, idade e benefícios incorporados ao contrato de trabalho.
As indenizações variam entre:
R$ 24,4 mil e R$ 459 mil;
Pagamento em parcela única;
Depósito até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento;
Sem incidência de Imposto de Renda ou recolhimento de FGTS.
A adesão ao programa não garante desligamento automático. Cada pedido passará por análise dos Correios, levando em conta os critérios estabelecidos e as necessidades operacionais da empresa.
Fechamento de unidades e venda de imóveis
Além do PDV, o plano de recuperação prevê outras medidas para equilibrar as contas da estatal. Entre elas estão a venda de imóveis, com potencial de arrecadação de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, e o fechamento de até mil unidades consideradas deficitárias.
Atualmente, os Correios possuem cerca de 10 mil pontos de atendimento no país. Relatórios internos apontam que grande parte dessas unidades opera com resultados negativos.
O governo federal e a direção da empresa apostam que a combinação entre redução de despesas, reorganização operacional e novas parcerias comerciais possa devolver os Correios ao equilíbrio financeiro nos próximos anos.