Pesquisa aponta que 81% dos brasileiros consideram fundamental que candidatos acreditem em Deus

Levantamento da UFF mostra forte influência da religiosidade na percepção do eleitorado sobre política, educação e papel do Estado

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Uma pesquisa inédita realizada pelo Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), revelou que a crença em Deus continua exercendo forte influência na visão política dos brasileiros. Segundo o levantamento, 81% dos entrevistados consideram fundamental que candidatos a cargos eletivos acreditem em Deus. 

Os dados foram apresentados durante a abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

A pesquisa identificou diferenças significativas entre as faixas de renda. Entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo, o percentual dos que consideram importante que candidatos tenham fé em Deus chega a 89%. Já entre aqueles com renda mensal entre 10 e 20 salários mínimos, o índice cai para 57%, demonstrando que a religiosidade possui peso maior entre os segmentos de menor renda.

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores é a associação entre fé e valores morais. Ao todo, 74% dos entrevistados afirmaram acreditar que Deus torna as pessoas melhores, percentual que sobe para 86% entre aqueles com renda de até um salário mínimo. 

A influência religiosa também aparece na área da educação. Segundo o estudo, 82% dos participantes defendem que escolas ensinem crianças e adolescentes a acreditar em Deus, tema que frequentemente gera debates sobre os limites entre religião, educação e a laicidade do Estado brasileiro. 

Apesar da ampla valorização da fé, a pesquisa mostrou que isso não se traduz automaticamente em confiança nas instituições religiosas. A Igreja Católica aparece como a instituição religiosa mais confiável para os entrevistados, com 56% de aprovação, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%, e pelos centros kardecistas, com 19%.

O levantamento também trouxe informações sobre a percepção da população em relação ao Estado laico. Segundo os pesquisadores, 54% dos entrevistados disseram ser favoráveis a que o Estado brasileiro não seja laico. A socióloga Christina Vital, pesquisadora da UFF, avalia que existe uma compreensão diversa e muitas vezes confusa sobre o conceito de laicidade entre os brasileiros.

Especialistas presentes no congresso destacaram que os resultados ajudam a compreender a relevância da religião na formação das preferências políticas e eleitorais do país, especialmente em um cenário em que valores morais e religiosos continuam ocupando espaço central nos debates públicos. 

Fonte: LePar/UFF, UFRJ e Agência Brasil. 


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