O governo de Mato Grosso do Sul deu o primeiro passo concreto para asfaltar um dos trechos mais críticos do norte do estado: a Agesul-MS contratou a empresa Sepel Engenharia Planejamento e Assessoria Ltda. para elaborar os projetos básico e executivo de pavimentação asfáltica ao longo de aproximadamente 15,8 quilômetros que cortam quatro serras entre os municípios de Rio Verde de Mato Grosso e São Gabriel do Oeste. O contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado na segunda-feira, 17, e assinado pelo diretor-presidente interino da Agesul, Gil Márcio Franco.
O trecho em questão atravessa as serras do Pindaivão, Pimenteira, Baixadão e Areado — uma sequência de subidas e descidas que historicamente representa risco para motoristas e caminhoneiros, especialmente em períodos de chuva intensa, quando a pista sem pavimentação se torna escorregadia e instável. Para quem circula pela região norte do estado, seja para escoar produção agrícola de São Gabriel do Oeste ou para acessar serviços em cidades maiores, esse trecho é um gargalo antigo.
O escopo do trabalho vai além do simples projeto de asfaltamento. A Sepel Engenharia ficará responsável também pelo dimensionamento das chamadas Obras de Arte Especiais (OAEs) — categoria técnica que abrange pontes e viadutos que podem ser exigidos ao longo do percurso. A necessidade dessas estruturas será avaliada durante os estudos de engenharia, considerando a topografia acidentada das serras e os cursos d'água que cruzam o trajeto.
Essa abrangência é relevante porque projetos de serra costumam exigir soluções mais complexas do que uma estrada plana: a inclinação do terreno, o escoamento de água e a estabilidade dos taludes precisam ser calculados com precisão antes que qualquer máquina entre em campo. O trabalho da empresa contratada será, portanto, a base técnica sobre a qual toda a licitação futura das obras físicas será estruturada.
É importante que o leitor entenda o momento em que essa contratação se encaixa no processo: a Agesul-MS contratou a elaboração dos projetos, não a execução das obras. Trata-se da fase de planejamento de engenharia, etapa obrigatória antes que o estado possa abrir licitação para contratar as construtoras que vão, de fato, colocar o asfalto. Sem esse projeto aprovado, não há como publicar edital de obra.
Na prática, o cronograma real do asfaltamento dependerá de quanto tempo levará a conclusão e aprovação dos projetos, seguida da licitação e eventual assinatura de contrato de obra. Em rodovias estaduais de complexidade semelhante no passado, esse ciclo completo variou entre 18 e 36 meses após a contratação dos projetos — o que significa que a melhoria concreta na trafegabilidade das serras ainda pode levar alguns anos.
São Gabriel do Oeste é um dos maiores produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul, e o escoamento da produção agrícola depende diretamente da qualidade das estradas vicinais e estaduais da região. Rio Verde de Mato Grosso, por sua vez, integra a mesma bacia logística. A pavimentação das quatro serras nesse corredor tem impacto direto no custo de frete e na segurança dos transportadores que movimentam toneladas de grãos todos os anos por essa rota.
A conclusão dos projetos abrirá caminho para que o governo estadual busque recursos — sejam federais, estaduais ou via financiamento — para bancar as obras de pavimentação. O avanço no planejamento é o pré-requisito para qualquer pleito junto ao Ministério dos Transportes ou a bancos de fomento como o BNDES. Para os moradores e produtores da região norte, o sinal é de que o trecho das serras finalmente entrou no radar oficial com documentação técnica em curso.
Fontes: AGESUL-MS, DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL