O município de Sonora, no norte de Mato Grosso do Sul, deu o primeiro passo para sistematizar o que o Pantanal tem de mais vivo dentro de suas fronteiras. Na última segunda-feira (3 de agosto), a Casa do Artesão reuniu moradores, artistas, artesãos e gestores públicos para discutir preservação do patrimônio cultural local — e para lançar um diagnóstico que vai mapear, de forma inédita para o município, as tradições pantaneiras que sobrevivem na culinária, no artesanato, nas festas e no modo de vida do povo sonorano.
A ação integra o Programa Cidade Empreendedora, conduzido pelo Sebrae/MS em parceria com o Governo do Estado e a Prefeitura de Sonora, e representa a entrada do município no chamado Movimento da Cultura Pantaneira da região norte do estado. O ponto de partida foi uma palestra sobre patrimônio cultural de Mato Grosso do Sul, seguida de debate aberto com a comunidade — formato que, segundo os organizadores, reflete a intenção de que o levantamento seja construído de baixo para cima, com quem de fato vive essa cultura.
Embora o bioma predominante no município seja o Cerrado, aproximadamente 10% do território de Sonora está inserido no bioma pantaneiro, na sub-região do Paiaguás — o que confere ao município uma relação histórica e geográfica concreta com o Pantanal, e não apenas simbólica. Essa característica é o argumento central para incluir Sonora no mapeamento regional.
"É uma cultura muito rica, formada por tradições, saberes e costumes que se expressam na culinária, no modo de vida, no trabalho no campo, no artesanato e nas festas populares. Esse mapeamento contribui para preservar essa história, fortalecer a identidade local e manter viva essa herança cultural para as próximas gerações", afirmou Luzicarla Softov, gerente da Regional Norte do Sebrae/MS. Para ela, o diagnóstico também abre caminho para transformar esse patrimônio em produto turístico.
O secretário municipal de Educação, Cultura, Turismo e Esporte, Josevam Lopes do Nascimento, ressaltou que o trabalho vai além de Sonora. "Nossa intenção é resgatar e valorizar uma cultura que não pertence apenas a Sonora, mas a todo o Mato Grosso do Sul. É importante identificar onde está esse pantaneiro, quais são seus saberes, suas tradições e o que ele desenvolve no município", disse o secretário. Na visão dele, o levantamento pode reposicionar Sonora como destino de turismo cultural na região norte do estado.
O diretor de Cultura do município, Jo Campozano, quer que o diagnóstico resulte em ações práticas para artistas e grupos culturais locais. "Queremos fortalecer a representatividade da cultura pantaneira, envolvendo nossos artistas, artesãos e grupos culturais, para valorizar nossa fauna, nossa flora e a identidade de Sonora", afirmou. Já Rosemary Anunciação, professora de dança e coordenadora do grupo Dançart, foi uma das vozes da comunidade no encontro. "Esse mapeamento representa uma oportunidade de fortalecer a cultura de Sonora, valorizar os artistas locais e abrir novos caminhos para quem trabalha com a preservação da nossa identidade cultural", disse ela.
Segundo a analista técnica do Sebrae/MS, Jane Paiva, a sequência imediata prevê uma reunião com a equipe pedagógica do município para aprofundar o levantamento de informações. Na sequência, será aplicado um diagnóstico direto com os agentes culturais de Sonora — artesãos, grupos folclóricos, cozinheiros tradicionais e outros guardiões de saberes — para identificar e registrar os principais ícones da cultura pantaneira presentes no município.
O processo segue o modelo já adotado em outras cidades do estado pelo Movimento da Cultura Pantaneira, e os resultados devem orientar políticas públicas locais de turismo e cultura, além de subsidiar eventuais pedidos de reconhecimento de patrimônio imaterial. Para Sonora, que nos últimos anos tem buscado diversificar sua base econômica além da agropecuária, transformar a identidade pantaneira em ativo cultural pode representar uma virada no perfil do município perante o restante do estado.
Fontes: SEBRAE/MS