Peru vacina jovens de 10 a 20 anos contra dengue antes de El Niño chegar

Com 444 mil doses distribuídas em sete regiões, campanha nacional peruana mira adolescentes diante da previsão de El Niño extraordinário até abril de 2027.

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Peru vacina jovens de 10 a 20 anos contra dengue antes de El Niño chegar
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O Peru deu início nesta quinta-feira, 13 de agosto, à sua campanha nacional de vacinação contra a dengue, com foco em crianças e jovens entre 10 e 20 anos. O lançamento foi conduzido pela presidente Keiko Fujimori em uma escola da região de Tumbes, no norte do país, área entre as mais vulneráveis ao avanço do Aedes aegypti com a aproximação do fenômeno El Niño.

A urgência da medida está diretamente ligada a um alerta científico emitido em julho pelo Comitê Multissetorial do Estudo Nacional do Fenômeno El Niño (Enfen): o Peru pode enfrentar um El Niño Costeiro de magnitude extraordinária, com pico entre novembro e dezembro de 2026 e efeitos que se estenderiam até abril de 2027. O fenômeno eleva a temperatura do mar, provoca chuvas torrenciais e encurta o ciclo de incubação do vírus da dengue, o que historicamente explode o número de casos nas regiões afetadas.

Duas doses e brigadas móveis para alcançar zonas prioritárias

O esquema de vacinação prevê duas doses e pode ser aplicado tanto em escolas e postos de saúde quanto por brigadas móveis que percorrerão as áreas de maior risco, sobretudo na Amazônia peruana e no litoral norte. Nas últimas duas semanas, o país recebeu dois lotes do imunizante: o primeiro com 225 mil doses e o segundo com 219 mil doses, totalizando 444 mil unidades já distribuídas pelo Centro Nacional de Abastecimento de Recursos Estratégicos em Saúde (Cenares) a sete regiões priorizadas.

O ministro da Saúde, Luis Dyer, acompanhou Fujimori no evento e reforçou a logística da campanha. "Já distribuímos as vacinas contra a dengue em sete regiões e iniciamos a vacinação. É muito importante dizer aos pais que são duas doses", declarou o ministro, que também anunciou inspeções nos hospitais e centros de saúde da região de Tumbes nos próximos dias.

El Niño como acelerador da epidemia de dengue

O El Niño Costeiro é um fenômeno distinto do El Niño clássico, mas ambos convergem para amplificar os riscos sanitários no Peru. O aumento da temperatura superficial do mar peruano provoca precipitações extremas na faixa costeira — exatamente onde se concentra boa parte da população do país. Essas condições criam poças d'água paradas que funcionam como criadouros ideais para o mosquito transmissor da dengue, do zika e da chikungunya.

Após o lançamento da campanha de vacinação, a presidente Fujimori se deslocou para obras de limpeza e desassoreamento de leitos de rios na região, ação complementar para reduzir o risco de inundações. O Ministério da Saúde do Peru também ativou uma linha telefônica gratuita para orientar a população sobre prevenção de doenças associadas ao El Niño, incluindo dengue, zika, chikungunya, leptospirose e infecções respiratórias e gastrointestinais.

Lição que chega perto da fronteira brasileira

A movimentação peruana interessa de perto ao leitor de Mato Grosso do Sul. O El Niño que preocupa Lima também influencia o clima no Centro-Oeste brasileiro: anos de El Niño tendem a concentrar chuvas irregulares e calor intenso na região, condições que historicamente elevam os índices de dengue em cidades como Campo Grande, Dourados e Corumbá. A campanha de vacinação direcionada especificamente a adolescentes — faixa etária frequentemente negligenciada em estratégias sanitárias — é um modelo que especialistas brasileiros acompanham com atenção, sobretudo porque o Brasil também enfrenta limitações no estoque da vacina Qdenga.

O cenário peruano serve como termômetro do que pode se intensificar nos próximos meses nos países vizinhos. Com El Niño projetado para durar até abril de 2027, as autoridades de saúde da região têm uma janela estreita para ampliar coberturas vacinais antes do pico do fenômeno climático.

Fontes: AGÊNCIA EFE, MINISTÉRIO DA SAÚDE DO PERU


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