Norma ISO e nova regulação federal mudam regras para turismo de aventura em Bonito

Sebrae/MS reuniu empresários, guias e gestores de Bonito para debater certificação obrigatória e gestão de riscos no ecoturismo, em evento realizado na terça-feira (11).

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Norma ISO e nova regulação federal mudam regras para turismo de aventura em Bonito
Divulgação

O setor de turismo de aventura de Bonito pode enfrentar mudanças significativas nos próximos anos: a legislação brasileira já exige que operadoras do segmento adotem um Sistema de Gestão da Segurança (SGS), e o Ministério do Turismo trabalha em uma nova regulamentação para detalhar como esse processo deve ser implementado. Para preparar o trade turístico local, o Sebrae/MS promoveu, na noite de terça-feira (11 de agosto), uma palestra técnica no Polo Sebrae de Ecoturismo, reunindo empresários, guias, gestores e profissionais do setor.

O encontro não foi apenas uma capacitação pontual. Ele expôs uma realidade que muitos empreendimentos do destino ainda não incorporaram à rotina: a ausência de sistemas estruturados de segurança gera riscos jurídicos, operacionais e reputacionais que podem comprometer tanto o negócio quanto a imagem de Bonito como um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil. Com mais de 1,5 milhão de turistas por ano atraídos pelas águas cristalinas e atividades em plena natureza, a cidade tem muito a perder — e a ganhar — com a profissionalização da gestão de riscos.

Certificação como diferencial competitivo, não apenas cumprimento de norma

O consultor internacional em normalização e certificação Alexandre Garrido, integrante da câmara técnica que acompanha a proposta do Ministério do Turismo, conduziu a apresentação. Ele detalhou a aplicação da norma ABNT NBR ISO 21101 — referência técnica para o turismo de aventura — e fez questão de separar dois conceitos frequentemente confundidos no setor: implantar um SGS e obter sua certificação são etapas distintas, com exigências e benefícios diferentes. "Uma empresa certificada demonstra que desenvolve ações permanentes de prevenção, proteção e controle dos riscos de suas atividades. Isso oferece mais segurança aos visitantes e fortalece a imagem do destino turístico", explicou Garrido ao público presente.

O especialista também desmistificou a ideia de que a certificação é um processo burocrático de alto custo acessível apenas a grandes operadoras. Para empresas de pequeno e médio porte — maioria em Bonito —, o Programa Aventura Natural, oferecido pelo Sebrae/MS, entra justamente como suporte para estruturar e certificar o sistema. "O Programa Aventura Natural ajuda os empreendimentos a implementar e certificar o Sistema de Gestão da Segurança, reduzindo riscos, fortalecendo a gestão e agregando valor ao produto turístico. Isso aumenta a confiança do visitante e torna o negócio ainda mais competitivo", afirmou Matheus Oliveira, gerente da Regional Oeste do Sebrae/MS.

Quem já tem certificação diz que sempre há mais a aprender

A participação do público transformou a noite em um espaço de troca real. Representantes de atrativos consolidados como o Abismo Anhumas e o Parque Ecológico Rio Formoso estavam na plateia — e não apenas para ouvir. Felipe Scott, diretor executivo do Abismo Anhumas, saiu do evento com uma percepção objetiva sobre o que o SGS representa na prática. "O principal aprendizado foi compreender que o Sistema de Gestão da Segurança permite controlar os riscos internos e preparar planos de emergência para aquilo que foge ao nosso controle. É um conhecimento que fortalece toda a operação", avaliou.

Bruno Leite Miranda, diretor e gestor do Parque Ecológico Rio Formoso — empresa que já possui certificação —, reforçou que o processo não termina com a obtenção do selo. "Mesmo sendo uma empresa certificada, sempre há oportunidades de evoluir. A palestra trouxe novos conhecimentos que poderão ser aplicados ao nosso sistema, fortalecendo o processo de melhoria contínua", disse Miranda. A presença de gestores já certificados ao lado de empreendedores em estágios iniciais ilustrou bem a maturidade desigual do setor — e a urgência de elevar o padrão coletivo.

Regulação federal em construção e o que muda para Bonito

O ponto de maior atenção da noite veio quando Garrido confirmou que o Ministério do Turismo avança em uma nova regulamentação específica para detalhar a implementação obrigatória dos Sistemas de Gestão da Segurança por operadores de turismo de aventura. A norma federal já existe, mas carece de detalhamento sobre prazos, fiscalização e requisitos mínimos. Como membro da câmara técnica que está construindo essa proposta, o consultor pôde antecipar tendências e responder dúvidas com autoridade sobre o que está por vir.

Para Bonito, que compete diretamente com destinos internacionais de ecoturismo e aventura, a regulação pode funcionar como uma barreira de entrada positiva: empreendimentos que já estiverem certificados quando a norma for exigida terão vantagem sobre concorrentes menos preparados. Elias Francisco, diretor municipal de Turismo da Prefeitura de Bonito, deixou claro que a responsabilidade é de toda a cadeia. "Para tornar Bonito cada vez mais seguro é fundamental o engajamento dos atrativos, empresas, guias e colaboradores. A gestão da segurança é uma responsabilidade compartilhada e fortalece a confiança dos visitantes no destino", afirmou o diretor, que representou a administração municipal no evento.

Informações sobre o Programa Aventura Natural e outras soluções do Polo Sebrae de Ecoturismo estão disponíveis em ecoturismo.sebrae.com.br ou pelo telefone 0800 570 0800.

Fontes: SEBRAE/MS


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