O milho negociado na Bolsa brasileira B3 encerrou a segunda-feira, 10, com altas de até 1,57%, puxadas pela valorização do dólar frente ao real — movimento que beneficiou diretamente praças de Mato Grosso do Sul, como São Gabriel do Oeste e Maracaju, que registraram avanços no mercado físico da commodity neste início de semana.
O comportamento divergiu do que foi visto em Chicago: na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), principal referência global para o grão, os contratos futuros fecharam levemente no vermelho, pressionados pelo clima favorável às lavouras norte-americanas — o que costuma indicar uma oferta abundante e, portanto, preços mais baixos. A tensão geopolítica no Oriente Médio, no entanto, manteve o petróleo elevado e colocou um freio nas perdas.
Na B3, o vencimento setembro/26 fechou a R$ 69,90, com alta de 1,57%. O contrato para março/27 subiu 0,94%, chegando a R$ 78,68, enquanto o maio/27 avançou 1%, a R$ 77,06. Já o vencimento janeiro/27 registrou ganho de 0,64%, cotado a R$ 77,20.
"Essa alta do dólar acaba ajudando o mercado de porto, que é atrelado à moeda americana. Por outro lado, a B3 está sentindo a colheita da segunda safra que avança bem, com exceção do Paraná, que tem problemas de clima com chuva e grãos ardidos", avaliou Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting. Segundo ele, o pregão desta segunda não refletiu fundamentos sólidos, mas sim um ajuste financeiro clássico de início de semana, com agentes comprando e vendendo posições.
No mercado internacional, o cenário foi de perdas moderadas. O contrato setembro/26 fechou a US$ 4,38, queda de 0,17%, enquanto dezembro/26 recuou 0,05%, a US$ 4,61. O março/27 caiu 0,10%, a US$ 4,77, e o maio/27 perdeu 0,05%, encerrando a US$ 4,86.
"O dia começou positivo e depois ficou levemente negativo, mas é um movimento meramente financeiro. O clima norte-americano segue bastante favorável, o que pesa nas cotações, mas a Guerra do Irã segue impactando o petróleo, que está em alta e deveria dar fôlego positivo para o milho", explicou Brandalizze. A combinação entre oferta climática favorável nos EUA e instabilidade geopolítica no Oriente Médio criou um cabo de guerra que manteve as variações dentro de margens estreitas.
No mercado físico nacional, São Gabriel do Oeste e Maracaju, ambas em Mato Grosso do Sul, figuraram entre as praças que registraram valorização da saca de milho nesta segunda. Do outro lado, Eldorado/MS apareceu no grupo das desvalorizações — reflexo das diferenças logísticas e de demanda local que moldam os preços físicos de forma independente ao mercado futuro.
O analista da Brandalizze Consulting projetou um cenário otimista para os próximos meses. Com os vencimentos de março e maio de 2027 já na casa dos R$ 78, a expectativa é de que as cotações na B3 alcancem a faixa dos R$ 80,00 nesses contratos caso o dólar siga firme e a demanda interna por milho — especialmente para ração animal — mantenha pressão compradora. Para os produtores sul-mato-grossenses, que colhem uma segunda safra em ritmo acelerado, o momento exige atenção ao timing das vendas.
Fontes: BRANDALIZZE CONSULTING, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS