A rede de assistência social de Três Lagoas recebeu, na última sexta-feira (7 de agosto de 2026), um reforço técnico importante: 37 profissionais — entre assistentes sociais e psicólogos — além dos seis coordenadores dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do município passaram por capacitação para operar o Sistema de Condicionalidades (SICON) do Bolsa Família, ferramenta federal que sinaliza quando uma família está prestes a ter o benefício comprometido por descumprimento de regras nas áreas de saúde e educação.
A iniciativa partiu da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), que identificou a necessidade de qualificar os novos integrantes da rede e atualizar os que já estavam em campo. Em um município onde centenas de famílias dependem do programa para manter a renda, saber usar o SICON corretamente pode fazer a diferença entre o corte de um benefício e uma intervenção preventiva que resolve a causa raiz do problema.
O SICON funciona cruzando informações enviadas pelas secretarias de Saúde e de Educação. Na prática, o sistema acende um alerta quando uma criança acumula faltas acima do limite permitido, quando o calendário de vacinação está desatualizado ou quando gestantes deixam de comparecer às consultas de pré-natal — além do acompanhamento de peso e crescimento de crianças. Todos esses são compromissos que as famílias assumem ao receber o Bolsa Família.
O ponto central da capacitação foi justamente mostrar aos técnicos como navegar no sistema: desde o acesso à plataforma e a leitura dos relatórios até a abordagem direta às famílias sinalizadas. A formação foi conduzida por Mariana Cobra, coordenadora do Setor de Benefícios, e Carla Mattos, técnica da mesma unidade.
Quando o SICON sinaliza uma irregularidade, o trabalho não termina no computador. As equipes dos CRAS entram em campo para analisar cada caso individualmente, buscar as famílias e entender o que está por trás do descumprimento. Muitas vezes, a falta de uma criança na escola ou a ausência em uma consulta de saúde é sintoma de uma vulnerabilidade mais profunda — violência doméstica, desemprego, dificuldade de transporte ou falta de acesso à informação.
O objetivo declarado da Secretaria é garantir que nenhuma família perca o benefício por um problema que poderia ter sido resolvido com uma visita ou um encaminhamento adequado. A lógica é preventiva: identificar antes de punir. Essa abordagem alinha o trabalho dos CRAS de Três Lagoas às diretrizes nacionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que prioriza a proteção antes da sanção.
A capacitação reflete uma estratégia mais ampla da SMAS de fortalecer tecnicamente suas equipes. Com a rotatividade natural de profissionais nos serviços públicos, garantir que os recém-chegados dominem as ferramentas operacionais do SUAS é condição básica para a qualidade do atendimento. O encontro desta sexta foi organizado a partir da articulação entre a Diretoria de Proteção Social Básica e o Setor de Benefícios — o que demonstra integração interna que nem sempre ocorre em municípios menores.
Para as famílias atendidas pelos seis CRAS de Três Lagoas, o resultado esperado é simples: menos interrupções no benefício e mais acesso ao conjunto de direitos que o Bolsa Família carrega consigo — da alimentação à saúde preventiva, passando pela permanência das crianças na escola.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS