Com Chicago encerrando a semana em compasso de espera, a soja negociada no mercado físico brasileiro chegou ao fim desta sexta-feira (7) próxima dos R$ 150,00 por saca, sustentada por prêmios de exportação elevados e pelo dólar, dois fatores que vêm compensando a falta de um sinal mais claro vindo dos futuros norte-americanos. A cautela domina o ambiente antes da divulgação do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), previsto para a próxima semana.
O cenário desta semana foi marcado por uma combinação incomum: ao mesmo tempo em que os contratos futuros de soja em Chicago recuaram levemente — com novembro cotado a US$ 11,76 e janeiro a US$ 11,91 por bushel, perdas de 0,75 a 1,50 ponto —, o mercado físico brasileiro operou firme, sustentado pela solidez das exportações e pela postura retraída dos produtores, que preferem aguardar patamares mais altos para fechar novos negócios.
O grande catalisador da semana foi a China. A nação asiática adquiriu quase um milhão de toneladas de soja norte-americana em apenas sete dias, acelerando o ritmo para cumprir o acordo bilateral que prevê a compra de 20 a 25 milhões de toneladas até o final de 2026. O volume chamou atenção dos mercados e melhorou a percepção sobre a demanda internacional.
"Na segunda metade da semana, o sentimento dos investidores melhorou após o relatório semanal de vendas para exportação do USDA indicar uma demanda consistente por grãos norte-americanos. O mercado também reagiu conforme se confirmaram os rumores de compras chinesas de soja, enquanto a persistência das altas temperaturas na Europa reforçou preocupações com o potencial produtivo das lavouras do bloco", informou o Grupo Labhoro em seu boletim de mercado. O aquecimento europeu abre espaço para que a demanda global por soja se mantenha ativa ao longo do ano comercial — o que favorece tanto os EUA quanto o Brasil.
No Brasil, os portos operam com indicações relativamente firmes. Somente em julho, o país exportou 13,4 milhões de toneladas da oleaginosa — número que evidencia o apetite externo pela produção nacional. No entanto, no interior das regiões produtoras, a liquidez está reduzida: o produtor permanece retraído, apostando que os preços subirão ainda mais antes de avançar com novos negócios.
Esse comportamento cria um paradoxo característico do mercado atual — forte ritmo nos portos, negócios pontuais no campo. Para Mato Grosso do Sul, estado entre os maiores produtores de soja do país, a combinação de preços próximos a R$ 150,00 a saca e prêmios de exportação fortalecidos representa uma janela de oportunidade relevante para quem ainda tem grão em estoque. A questão é até quando essa janela permanece aberta.
O próximo passo do mercado passa pelo boletim mensal do USDA, que chegará com dados atualizados de área plantada, produtividade e exportação nos Estados Unidos. O documento tem capacidade de remover a estabilidade atual e recolocar volatilidade nos contratos futuros — para cima ou para baixo, dependendo se os números confirmam ou contrariarem as projeções de safra americana.
No complexo soja, o comportamento dos derivados também merece atenção. O óleo voltou a registrar ganhos, puxado pelas expectativas em torno da demanda por biocombustíveis, enquanto o farelo recuou por ajustes técnicos. Esse movimento misto ajudou a manter os contratos do grão próximos da estabilidade nesta sexta. Para os produtores sul-mato-grossenses, a orientação do mercado é de atenção redobrada ao boletim da semana que vem — ele dará o tom para as negociações de agosto.
Fontes: USDA, GRUPO LABHORO, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS