Drone russo atinge navio com trigo e impulsiona preços no mercado global

Ataques no Mar Negro e desvalorização do dólar puxaram alta do trigo na bolsa de Chicago nesta sexta-feira, enquanto soja e milho oscilaram.

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Drone russo atinge navio com trigo e impulsiona preços no mercado global
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Os contratos futuros de trigo na bolsa de Chicago fecharam em alta nesta sexta-feira após tocar a mínima de quatro semanas, reagindo a dois fatores simultâneos: a desvalorização do dólar americano e novos relatos de ataques a embarcações carregadas de grãos na região do Mar Negro. O contrato mais negociado encerrou o pregão com valorização de 8,50 centavos, a US$ 6,3975 por bushel — revertendo perdas acumuladas na semana.

O mercado de commodities agrícolas vive semanas de alta volatilidade. De um lado, a oferta global de trigo segue robusta, em especial no corredor do Mar Negro, que reúne Rússia e Ucrânia — dois dos maiores exportadores mundiais. De outro, os riscos à logística de exportação crescem à medida que o conflito armado se intensifica sobre as rotas marítimas estratégicas para o abastecimento mundial.

Navio carregado é atingido na Ucrânia e rumores cercam porto russo

Na quinta-feira, o governador da região de Odessa confirmou que um navio de bandeira estrangeira com carga de trigo foi danificado por um ataque russo, resultando na morte de um tripulante e no início de um incêndio a bordo. Na sexta-feira, operadores do mercado reportaram rumores — ainda sem confirmação oficial — de novos ataques com drones no porto de Novorossiysk, na Rússia, também às margens do Mar Negro, com possíveis danos a embarcações.

"O grão está lá. A grande questão agora é se eles conseguirão exportá-lo. Esse é o fator determinante para saber se veremos os preços subirem ou descerem", disse Dennis Voznesenski, analista do Commonwealth Bank. A afirmação resume o dilema que move os mercados: estoques existem, mas a insegurança logística ameaça o fluxo de exportações para os países importadores.

Soja recua após entusiasmo com compras da China

Enquanto o trigo avançava, a soja cedeu terreno. O contrato mais negociado na CBOT encerrou com queda de 1,50 centavo, a US$ 11,7625 por bushel, revertendo o impulso inicial gerado por uma nova rodada de compras chinesas de grão norte-americano. Segundo operadores, a China adquiriu ao menos mais 10 cargas de soja dos EUA na quinta-feira — parte de uma estratégia de abastecimento que antecede a visita prevista do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos no próximo mês.

Os acordos são desdobramento das negociações comerciais entre Washington e Pequim. A Casa Branca informou que os entendimentos incluem compromissos chineses de adquirir 25 milhões de toneladas métricas de soja americana por ano, além de ampliar as compras de outros produtos agrícolas. Ainda assim, o entusiasmo inicial arrefeceu durante o pregão, e o contrato fechou em queda pelo encerramento da semana.

O que os produtores de MS precisam observar

Para o agronegócio de Mato Grosso do Sul, as oscilações desta semana reforçam a importância de acompanhar tanto o cenário geopolítico quanto os movimentos do dólar. O estado é um dos maiores produtores de soja e milho do Brasil, e os preços formados em Chicago servem de referência direta para as negociações no mercado interno. A instabilidade no corredor do Mar Negro pode redirecionar demanda para fornecedores do hemisfério sul — o que, dependendo da intensidade, favorece o produtor brasileiro.

O milho, por sua vez, fechou estável nesta sexta, com o contrato mais negociado encerrando a US$ 4,62 por bushel — mas acumulou queda pelo segundo pregão semanal consecutivo. Novas encomendas de exportação e o dólar mais fraco ajudaram a segurar os preços, mas não foram suficientes para garantir alta. O setor acompanha ainda os relatórios sobre as safras norte-americanas, que podem redefinir as estimativas de oferta nas próximas semanas.

Fontes: REUTERS


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