Calor extremo nos EUA e China pressiona algodão a maior alta semanal em meses

Contratos futuros do algodão acumularam até 3,45% de valorização na semana, impulsionados por condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras globais.

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Calor extremo nos EUA e China pressiona algodão a maior alta semanal em meses
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O algodão fechou a semana com o melhor desempenho em meses nas bolsas de Nova York, sustentado por uma combinação de fatores climáticos preocupantes nos Estados Unidos e na China e por dados robustos de exportação da safra americana. Na sexta-feira (7), todos os contratos futuros terminaram em alta, consolidando uma valorização semanal que chegou a 3,45% nos vencimentos mais longos — um sinal de que o mercado começa a precificar riscos reais de oferta para os próximos meses.

O cenário chama atenção especialmente dos produtores do Centro-Oeste brasileiro, onde Mato Grosso do Sul vem ampliando gradualmente sua participação na cotonicultura regional. Qualquer movimento relevante nos preços internacionais da pluma repercute diretamente nos cálculos de rentabilidade e nas decisões de plantio para a próxima safra.

Onda de calor ameaça lavouras nos EUA e em Xinjiang

O principal motor da alta desta semana foi a preocupação com as condições climáticas em duas das maiores regiões produtoras do mundo. Nos Estados Unidos, uma onda de calor intensificou os riscos de abandono de lavouras, enquanto no cinturão de Xinjiang, na China, as temperaturas elevadas combinadas com possíveis restrições no abastecimento de água colocam em dúvida parte da produção esperada. "Esse cenário pode aumentar a volatilidade e abrir oportunidades de alta, especialmente nos contratos de vencimentos mais longos", avaliou Pery Pasotti Pedro, consultor independente ouvido pelo Notícias Agrícolas na quarta-feira.

O analista Jack Scoville reforçou a avaliação ao apontar que as lavouras norte-americanas estão em condição inferior à do mesmo período do ano passado e apresentaram deterioração na última semana. Segundo ele, apesar de o desenvolvimento geral seguir dentro da média histórica, com avanço na formação de botões florais e cápsulas, as previsões indicam chuvas esparsas nas áreas produtoras e manutenção de temperaturas elevadas no Delta e no Sudeste dos EUA — regiões críticas para o volume final colhido.

Exportações americanas superam projeções do USDA

Além do clima, os dados de exportação divulgados na quinta-feira deram sustentação adicional ao mercado. Os compromissos de venda da safra 2025/26 encerraram o ano comercial em 11,976 milhões de fardos, volume 1% acima do registrado no ciclo anterior e equivalente a 102% da projeção oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O número indica que a demanda global pela pluma americana seguiu firme mesmo diante das incertezas geopolíticas e cambiais do período.

Para a safra 2026/27, os negócios antecipados já somam 3,12 milhões de fardos, um avanço expressivo de 43,33% na comparação anual — o que sugere que importadores de todo o mundo estão se posicionando cedo, possivelmente antecipando a possibilidade de oferta mais apertada à frente.

O que esse movimento significa para o produtor sul-mato-grossense

Mato Grosso do Sul não figura entre os grandes estados cotonicultures do Brasil, mas a cultura tem ganhado espaço em algumas regiões do estado como alternativa de diversificação de renda, especialmente em propriedades do Cone Sul e da região de Maracaju. Para esses produtores, a sequência de altas em Nova York é um dado relevante: o preço internacional da pluma serve de referência para os contratos firmados com as indústrias têxteis brasileiras.

O movimento desta semana, embora ainda precisar de continuidade para configurar uma tendência estrutural de alta, reacende o interesse pela commodity em um momento em que o produtor começa a definir o mix de culturas para a safra que se aproxima. Com a soja pressionada por excesso de oferta global e o milho sob pressão de margens, o algodão pode voltar ao radar de quem busca rentabilidade alternativa no campo sul-mato-grossense.

A sequência de quatro semanas consecutivas de ganhos nos contratos futuros será acompanhada de perto nas próximas sessões, com atenção especial aos boletins climáticos dos EUA e aos dados semanais de exportação do USDA, que serão divulgados na próxima quinta-feira.

Fontes: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS, USDA


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