Os contratos futuros do milho fecharam a sessão desta sexta-feira (7) com altas modestas tanto na Bolsa de Valores do Brasil (B3) quanto na Bolsa de Chicago (CBOT), numa retomada que interrompeu dois pregões seguidos de queda. O movimento, porém, é visto com cautela pelo mercado: na quarta-feira (11), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga o relatório de Produção Agrícola, que trará as primeiras estimativas da temporada para produtividade de milho e soja baseadas em pesquisas diretas com produtores rurais americanos.
O cenário mistura expectativa e apreensão. De um lado, o recuo nas vendas deu fôlego às cotações. De outro, as condições climáticas nos Estados Unidos seguem deterioradas, o que alimenta a incerteza sobre o tamanho real da safra americana — e, por consequência, sobre o patamar de preços nas semanas seguintes.
Na CBOT, os vencimentos de milho operavam todos no campo positivo por volta das 12h48 (horário de Brasília). O contrato com entrega em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,43, com alta de 4,25 pontos. O vencimento dezembro/26 marcava US$ 4,66 (+4 pontos), enquanto março/27 chegava a US$ 4,81 (+3,50 pontos) e maio/27 a US$ 4,89 (+3,25 pontos).
Na B3, às 13h07, os preços domésticos flutuavam entre R$ 68,87 e R$ 78,12 por saca. O vencimento setembro/26 subia 0,66%, cotado a R$ 68,87. O contrato março/27 avançava 0,15%, a R$ 78,12, enquanto o janeiro/27 operava estável a R$ 76,85.
A cautela dos investidores tem endereço e data certa. "As vendas parecem ter chegado ao fim por enquanto, com os investidores se preparando para o relatório de Produção Agrícola do USDA na quarta-feira, que incluirá as primeiras estimativas de produtividade de milho e soja da temporada baseadas em pesquisas com agricultores", avaliou Bruce Blythe, analista do portal especializado Farm Futures.
Esse relatório é considerado um dos mais aguardados do calendário agrícola americano justamente por ser o primeiro a incorporar dados de campo — e não apenas modelos estatísticos. O resultado pode tanto confirmar os ganhos recentes quanto provocar nova rodada de vendas caso os números apontem para safra superior ao esperado. "As condições climáticas, vistas com pessimismo, continuam sendo o foco principal, aumentando os riscos de novas quedas nos preços, com gráficos em deterioração alimentando uma onda de vendas por parte dos especuladores", completou Blythe.
Mato Grosso do Sul é um dos maiores produtores de milho do país, com destaque especial para a safrinha, que representa parcela significativa da renda agrícola do estado. Com o preço na B3 ainda abaixo de R$ 80,00 por saca e o custo de produção pressionado — especialmente pelos fertilizantes, que chegam a representar 40% do custeio da safrinha —, os produtores locais precisam de atenção redobrada ao movimento das cotações nas próximas semanas.
A divulgação do relatório do USDA na quarta-feira deve definir a direção do mercado no curto prazo. Se as estimativas americanas confirmarem perdas de produtividade por conta do clima adverso, há espaço para nova valorização — o que favoreceria os produtores sul-mato-grossenses que ainda estão negociando parte de sua produção. Caso contrário, o risco de nova onda de vendas especulativas pode pressionar ainda mais as cotações domésticas.
Para o agronegócio de MS, que movimenta bilhões de reais por ano e tem no milho um de seus pilares, acompanhar de perto esse ciclo de publicações do USDA deixou de ser opção — virou obrigação.
Fontes: NOTÍCIAS AGRÍCOLAS, FARM FUTURES, USDA