Campo Grande (MS) — A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (6) colocou o governador Eduardo Riedel (PP) a uma distância confortável dos adversários na corrida pela reeleição. São 44% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 25% do ex-deputado federal Fábio Trad (PT) e 12% do deputado federal João Henrique Catan (Novo). O número puxou manchetes sobre uma possível vitória já na primeira votação. Vale olhar o retrovisor antes de fechar essa conta.
Em 2022, quando disputou o Governo pela primeira vez, Riedel terminou o primeiro turno em segundo lugar. Capitão Contar, então no PRTB, fez 26,71% dos votos válidos. Riedel ficou com 25,16%. A eleição foi para o segundo turno e só então o quadro virou: Riedel venceu com 56,51% contra 43,49% do adversário. O eleitor sul-mato-grossense já mostrou uma vez que a fotografia da primeira votação não é o retrato final.
No cenário estimulado, quando os nomes são apresentados ao entrevistado, os números são estes:
No cenário espontâneo, em que ninguém sugere nomes e o eleitor responde de cabeça, o desenho muda de escala: Riedel aparece com 24%, Trad com 10% e Catan com 4%. Mais da metade dos entrevistados, 51%, não soube citar nenhum nome. É a distância normal entre reconhecer um candidato numa lista e lembrar dele sozinho, e ela costuma encolher quando a propaganda eleitoral entra no ar.
Em um eventual segundo turno entre os dois primeiros, o instituto mediu Riedel com 54% e Trad com 32%.
O dado que o número isolado esconde é a estabilidade. Desde fevereiro, levantamentos de institutos diferentes colocam Riedel numa faixa estreita, entre 40% e 49%, com pequenas oscilações para cima e para baixo. Em julho, o Instituto Ranking mediu 46,2% e o Novo Ibrape, 46,1%. Em maio, o próprio Real Time Big Data havia registrado 43%. O governador chega a agosto praticamente onde estava no início do ano.
Quem se moveu no período foi o segundo colocado. Fábio Trad saía de faixas entre 12% e 17% no primeiro semestre e agora marca 25%, o melhor resultado dele na série. Já Catan é o nome que mais varia conforme o instituto e a data, tendo aparecido de 4,2% a 20,3% em levantamentos diferentes ao longo do ano, o que costuma acontecer com candidaturas ainda em construção de conhecimento.
Há uma mudança de tabuleiro que ajuda a explicar o tamanho atual da vantagem. O PL, partido que realizou convenção em 1º de agosto em Campo Grande, declarou apoio à reeleição de Riedel e lançou dois nomes ao Senado: o ex-governador Reinaldo Azambuja e o próprio Capitão Contar, o mesmo adversário que levou Riedel ao segundo turno quatro anos atrás.
Na disputa pelo Senado, em que o eleitor escolhe dois nomes e por isso os percentuais não somam cem, Azambuja aparece com 30% e Contar com 19%, seguidos por Nelsinho Trad (PSD), com 15%, e Vander Loubet (PT), com 9%. Soraya Thronicke (PSB) marca 8%, Beto do Movimento (PSOL), 5%, e Daniel Júnior (Agir) e Fernando Moraes (DC), 2% cada.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 1º e 5 de agosto de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é o MS-07706/2026.
Três coisas ainda não aconteceram. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas, e é o registro, não a convenção, que confirma quem estará na urna. A campanha começa em 16 de agosto, com a propaganda de rádio e televisão que historicamente mexe com o eleitor indeciso. E o primeiro turno só será em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Entre a fotografia de hoje e a apuração, há dois meses de campanha, o mesmo intervalo que em 2022 transformou uma segunda colocação em vitória.