Por que 44% na pesquisa pode virar vitória no primeiro turno em MS: entenda a conta do voto válido

Levantamento do Real Time Big Data mostra Eduardo Riedel com 44% e Fábio Trad com 25%; o que decide se haverá segundo turno não é esse número, e sim a regra que exclui brancos e nulos da conta

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Por que 44% na pesquisa pode virar vitória no primeiro turno em MS: entenda a conta do voto válido
Arte/MSConecta

Campo Grande (MS) — A pesquisa divulgada nesta quinta-feira (6) sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul trouxe um número que costuma ser lido errado. O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, aparece com 44% das intenções de voto. O ex-deputado federal Fábio Trad (PT) marca 25%. Quarenta e quatro por cento é menos da metade, e a leitura automática seria a de que haveria segundo turno. Não é assim que a conta funciona.

A Constituição diz que é eleito em primeiro turno o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos válidos. E votos válidos não são todos os votos depositados na urna: brancos e nulos ficam de fora da conta. Quem não vota em ninguém não ajuda ninguém, mas também não atrapalha: apenas diminui o tamanho do bolo que será dividido.

Na prática, o efeito é este. Se em uma eleição hipotética 10% dos eleitores votarem em branco ou anularem, sobram 90% de votos válidos, e a maioria absoluta passa a ser pouco mais de 45% do total de votos, não 50%. Quanto maior a rejeição a todos os nomes, menor o percentual bruto necessário para vencer logo na primeira votação. É por isso que um candidato com 44% em pesquisa pode terminar acima ou abaixo da linha de corte dependendo de quantas pessoas decidirem não escolher ninguém.

O que a pesquisa mediu

O levantamento foi feito pelo instituto Real Time Big Data, registrado na Justiça Eleitoral sob o número MS-07706/2026. Foram ouvidos 1.600 eleitores em Mato Grosso do Sul entre 1º e 5 de agosto de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

No cenário de primeiro turno, Riedel aparece com 44% e Trad com 25%. Os demais candidatos e as respostas de brancos, nulos e indecisos dividem o restante. O instituto também testou o cenário de segundo turno entre os dois primeiros colocados: nele, Riedel marca 54% e Trad, 32%.

Vale a ressalva de sempre, que não é formalidade: pesquisa mede intenção declarada em um intervalo de dias, não resultado. A campanha oficial nem começou, o registro das candidaturas ainda será julgado pela Justiça Eleitoral e a propaganda no rádio e na televisão costuma mexer com o eleitor que ainda não decidiu.

Sete nomes disputam o Governo

Encerrado o prazo das convenções, sete candidaturas ao Governo do Estado estão postas: Daniel Lemes (PCO), Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT), Jeferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL) e Renato Gomes (DC). Quanto mais nomes na disputa, mais pulverizado tende a ficar o voto, o que em tese dificulta a maioria absoluta. Por outro lado, candidaturas pequenas costumam converter menos votos do que aparentam nas pesquisas iniciais.

As datas que ainda mudam o jogo

Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral, e é o registro, não a convenção, que confirma quem aparece na urna. A campanha começa em 16 de agosto. O primeiro turno será em 4 de outubro e, se a conta dos votos válidos não fechar para ninguém, o segundo turno acontece em 25 de outubro.


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