Granizo e temporais travam colheita do milho safrinha no Centro-Sul

Chuvas intensas, rajadas de vento e risco de granizo nos próximos cinco dias ameaçam o ritmo das colheitas do milho 2ª safra, com reflexos diretos para produtores de MS.

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Granizo e temporais travam colheita do milho safrinha no Centro-Sul
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O avanço da colheita do milho safrinha enfrenta uma semana crítica no Centro-Sul do Brasil. A combinação de um corredor de umidade com a atuação de um cavado atmosférico está gerando temporais, rajadas de vento fortes e episódios de granizo nas regiões Sul e Centro-Sul do país, interrompendo as operações nas lavouras justamente no período mais intenso da safra. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o ritmo já acumula um pequeno atraso em relação ao mesmo intervalo de 2025, embora esteja dentro da normalidade histórica comparado à média dos últimos cinco anos.

Para os produtores de Mato Grosso do Sul, o cenário requer atenção redobrada. O estado é um dos principais produtores de milho 2ª safra do país, e qualquer descompasso no calendário de colheita pode impactar o escoamento da produção, o frete e até os contratos já firmados com tradings. As próximas decisões no campo — entrar ou esperar a janela abrir — dependem diretamente de quanto e quando essas chuvas vão ceder.

Cinco dias de volumes elevados: o que os produtores devem esperar

As projeções meteorológicas apontam que os próximos cinco dias serão marcados por precipitações acima da média em boa parte das áreas produtoras. O corredor de umidade, alimentado por ar úmido da Amazônia, mantém a instabilidade ativa sobre o Centro-Oeste e o Sul, dificultando a entrada de maquinário nas lavouras. Chuvas acima de 50 milímetros em curtos intervalos aumentam o risco de tombamento de plantas e de perdas na qualidade dos grãos ainda em campo.

Além dos danos imediatos à operação de colheita, o excesso de umidade eleva o teor de água nos grãos, o que pressiona os custos de secagem e pode reduzir a margem do produtor. Para quem ainda não concluiu a colheita, a recomendação técnica é monitorar a umidade dos grãos diariamente e priorizar os talhões mais adiantados assim que houver uma janela climática favorável.

El Niño no horizonte ameaça também a soja 2026/2027

O problema não se restringe ao milho da safra atual. Os modelos climáticos já sinalizam a formação de um El Niño forte para os próximos meses, com as temperaturas médias das águas do Pacífico Equatorial registrando alta de 1,75°C acima do padrão — limiar que caracteriza o fenômeno em intensidade moderada a forte. A tendência é que esse aquecimento persista ao menos até o outono de 2027.

O impacto mais imediato deve ser sentido na janela de semeadura da soja 2026/2027, prevista para começar em outubro. Temporadas de El Niño tendem a distribuir as chuvas de forma irregular sobre o Brasil Central, com períodos de excesso seguidos de veranicos. Para o produtor sul-mato-grossense, isso significa planejar com margem de segurança maior no plantio, atentar para variedades adaptadas à variabilidade hídrica e acompanhar de perto os boletins agrometeorológicos até o final do ano.

MS no mapa da safrinha: o que está em jogo na temporada

Mato Grosso do Sul figura entre os cinco maiores produtores de milho 2ª safra do Brasil, com área plantada estimada em mais de 1,5 milhão de hectares na temporada 2025/2026. A produção estadual abastece tanto o mercado interno de proteína animal — suinocultura e avicultura — quanto o corredor de exportação que passa por Santos e Paranaguá. Qualquer compressão no calendário de colheita repercute na disponibilidade e no preço do grão nas próximas semanas.

O setor logístico também monitora o cenário: com as rodovias da região sendo frequentemente afetadas pelas chuvas no período, a janela para o escoamento da produção pode ficar ainda mais estreita. Cooperativas e tradings já recalibram cronogramas de recebimento à espera de uma definição sobre a intensidade das precipitações nas próximas semanas. O acompanhamento diário das previsões meteorológicas se tornou, neste agosto, uma das ferramentas mais estratégicas para o produtor sul-mato-grossense.

Fontes: CONAB, CANAL RURAL


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