Calor acima de 42°C e seca ameaçam rebanho e lavouras em MS nesta semana

Massa de ar seco domina Mato Grosso do Sul de 3 a 7 de agosto, com temperaturas extremas no norte do Estado e risco de incêndios no campo.

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Calor acima de 42°C e seca ameaçam rebanho e lavouras em MS nesta semana
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Mato Grosso do Sul enfrenta uma semana de calor intenso e tempo seco entre os dias 3 e 7 de agosto de 2026, com temperaturas que podem ultrapassar os 42°C no norte do Estado — uma das condições mais críticas do país neste período. O cenário preocupa produtores rurais, pecuaristas e autoridades de defesa civil pelo risco elevado de incêndios e pelo estresse térmico no rebanho bovino.

Enquanto o Sul do Brasil registra temporais e risco de granizo com a passagem de um ciclone extratropical, o Centro-Oeste vive a face oposta do inverno brasileiro: céu aberto, umidade baixíssima e sol escaldante. Para MS, que concentra um dos maiores rebanhos do país e extensas áreas de pastagem, os próximos dias pedem atenção redobrada no manejo animal e nas operações de campo.

Norte de MS lidera ranking de calor no Centro-Oeste

A massa de ar seco que predomina sobre o Centro-Oeste mantém o céu sem nuvens significativas em praticamente todo o território sul-mato-grossense ao longo da semana. No norte de Mato Grosso do Sul — região que inclui municípios como Coxim, Sonora e Costa Rica — os termômetros podem bater 42°C, igualando as marcas mais altas registradas simultaneamente no sul do Mato Grosso. No restante do Estado, as máximas ficam entre 38°C e 40°C, configurando uma semana de calor contínuo sem alívio noturno expressivo.

Esse padrão é típico do inverno seco sul-mato-grossense, mas os valores previstos estão acima da média histórica para agosto, o que amplifica os riscos. A umidade relativa do ar deve cair a níveis críticos nas horas mais quentes do dia, tornando qualquer faísca uma ameaça real de incêndio em áreas de pastagem seca ou vegetação nativa.

Pancadas isoladas no oeste e sudoeste trazem alívio parcial

Há uma exceção no cenário de seca generalizada: o oeste e o sudoeste de Mato Grosso do Sul — faixa que inclui municípios como Corumbá, Porto Murtinho e Ponta Porã — devem receber pancadas de chuva isoladas entre o fim da tarde e o início da noite em alguns dias da semana. Essas instabilidades são alimentadas pela umidade que avança do Chaco paraguaio e argentino, aproveitando a proximidade da fronteira.

As chuvas, porém, devem ser pontuais e de curta duração, insuficientes para reverter o déficit hídrico acumulado nas pastagens. Para os produtores da faixa de fronteira, o conselho é monitorar as previsões diárias antes de programar operações sensíveis à chuva, como pulverização e colheita de grãos tardios.

Impacto na pecuária e no planejamento das fazendas

O calor extremo combinado com baixa umidade representa risco direto de estresse térmico para o rebanho bovino. Animais expostos a temperaturas acima de 40°C reduzem o consumo de forragem, perdem peso e têm queda na produção de leite — prejuízos que se acumulam silenciosamente ao longo de dias consecutivos de calor. A recomendação técnica é garantir acesso irrestrito à água, oferecer sombra e, quando possível, adiantar o manejo para os horários mais frescos do dia, antes das 9h ou após as 17h.

Para as fazendas da região do Pantanal e do Bolsão, a preocupação adicional é com o risco de focos de incêndio em áreas de campo limpo e cerrado. O Corpo de Bombeiros Militar de MS e o INPE acompanham a evolução das condições atmosféricas, e qualquer operação com fogo — como aceiro — está formalmente proibida durante o período de estiagem. A semana exige vigilância constante das propriedades rurais, especialmente nas divisas com vegetação nativa.

No panorama nacional, enquanto MS seca sob sol forte, os estados do Sul lidam com o extremo oposto: acumulados de chuva entre 30 e 60 milímetros previstos para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, associados a um ciclone extratropical entre o Uruguai e o sul gaúcho na terça-feira (4 de agosto). A diversidade climática do Brasil em uma única semana resume bem os desafios do planejamento agrícola em um país continental.

Fontes: CANAL RURAL, INMET


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