O setor da cachaça encerrou 2025 em plena atividade: o Brasil contava com 1.538 estabelecimentos produtores espalhados por 844 municípios, enquanto as exportações da bebida alcançaram 7,95 milhões de litros enviados a 76 países, gerando receita de US$ 17,07 milhões — números que integram o Anuário da Cachaça 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na primeira semana de agosto.
O documento consolida, pela primeira vez de forma tão detalhada, o retrato completo da cadeia produtiva da bebida mais brasileira do país. Para um setor que já foi visto apenas como patrimônio cultural, os números mostram uma indústria madura, com presença internacional crescente e capacidade de geração de emprego e renda do campo à prateleira.
Minas Gerais confirma sua hegemonia histórica: o estado lidera com 2.922 produtos registrados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), à frente de São Paulo, com 1.185 registros, e do Rio de Janeiro, com 635. No total, o país tinha 8.379 cachaças registradas em 2025.
A cidade de Salinas (MG) ocupa o topo do ranking municipal, com 27 estabelecimentos elaboradores — o equivalente a 4,8% de todos os produtores mineiros. Das 11 cidades brasileiras com dez ou mais estabelecimentos registrados, sete ficam no Sudeste, duas no Nordeste, uma no Centro-Oeste (Distrito Federal) e uma no Sul. Minas aparece em cinco dessas onze posições, consolidando o domínio regional na produção artesanal e industrial da aguardente.
Em 2025, os produtores brasileiros declararam ao Mapa a fabricação de 234,4 milhões de litros de cachaça, volume que posiciona a bebida entre os destilados mais produzidos do país. A cadeia da aguardente de cana-de-açúcar foi responsável pela manutenção de 6.232 empregos diretos, entre cortadores de cana, mestres alambiqueiros, técnicos e profissionais de exportação.
O Mapa destaca que os dados reunidos no anuário têm função estratégica: servir de base para que produtores, pesquisadores e gestores públicos formulem políticas mais eficazes para o setor. A publicação deve orientar desde linhas de crédito rural até iniciativas de certificação de origem e promoção comercial no exterior.
No front externo, a cachaça manteve presença em todos os continentes. As vendas para 76 destinos ao longo de 2025 mostram que a bebida já ultrapassou o status de curiosidade étnica para se consolidar como produto premium em mercados como Alemanha, Estados Unidos e Japão — tradicionais destinos da exportação brasileira da aguardente.
Para o agronegócio sul-mato-grossense, o desempenho do setor é um sinal de que produtos com identidade territorial e valor agregado têm espaço crescente no comércio global. Mato Grosso do Sul, com sua forte base de produção de cana-de-açúcar — matéria-prima da cachaça —, tem potencial para ampliar sua participação nesse mercado, seja por meio da produção direta ou do fornecimento de insumos para destilarias de outras regiões. O anuário chega como um convite à reflexão sobre como o estado pode explorar melhor esse filão da agroindústria nacional.
Fontes: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA