Milho fecha julho em alta apesar de semana negativa nas bolsas

Apesar da queda semanal de até 5% na CBOT, os contratos futuros do milho acumularam valorização de até 6,3% no mês de julho, com volatilidade ditada por geopolítica e safra dos EUA.

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Milho fecha julho em alta apesar de semana negativa nas bolsas
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O mês de julho encerrou com saldo positivo para os futuros do milho, mesmo que a última semana tenha sido marcada por perdas expressivas. Nas bolsas de Chicago e no mercado brasileiro, os contratos acumularam altas de até 6,3% no período, resultado que contrasta com a desvalorização semanal de até 5% registrada nos últimos pregões — um comportamento que especialistas atribuem à combinação de tensões geopolíticas e incertezas sobre a produção norte-americana.

Para o produtor rural de Mato Grosso do Sul, que respondeu por uma safrinha volumosa neste ciclo, o cenário mistura alívio e cautela. O mercado brasileiro parece ter encontrado um piso após meses de queda, e a demanda interna — puxada especialmente pelo etanol de milho — começa a dar sustentação às cotações. Mas agosto promete ser mais um mês turbulento.

Tensão global e clima dos EUA como motores da volatilidade

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros encerraram a sexta-feira, 31 de julho, no vermelho. O vencimento setembro/26 foi negociado a US$ 4,40, com queda de 1,12% no dia; o dezembro/26 fechou a US$ 4,64, baixa de 0,96%; o março/27 saiu a US$ 4,79, recuo de 0,98%; e o maio/27 encerrou a US$ 4,88, perda de 0,96%. Na semana, as retrações chegaram a 5,06% para o contrato mais curto.

"Tudo isso traz muita volatilidade na precificação global dos diferentes ativos, como dólar, moedas e, naturalmente, das commodities agrícolas. Em especial soja, milho e trigo tiveram comportamentos bastante voláteis nas cotações internacionais nas últimas semanas", avaliou Enilson Nogueira, consultor da Céleres Consultoria. Segundo ele, os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu seguem como pano de fundo permanente de incerteza, enquanto o mercado monitora de perto o clima nos principais estados produtores dos Estados Unidos e o eventual impacto no potencial produtivo da safra americana — fator que deve continuar movimentando as cotações ao longo de agosto.

Mercado brasileiro encontra piso e olha para a demanda

Na B3, a dinâmica seguiu trajetória semelhante no fechamento do pregão desta sexta, mas com um elemento diferenciador: o mercado doméstico já havia antecipado a chegada de uma safrinha robusta e agora volta os olhos para o lado da demanda. O vencimento setembro/26 encerrou a R$ 69,20, queda de 0,72% no dia; o janeiro/27 foi a R$ 77,29, perda de 0,49%; o março/27 a R$ 79,00, baixa de 0,69%; e o maio/27 a R$ 77,81, recuo de 1,03%. Mesmo assim, julho terminou com valorizações acumuladas significativas também no mercado nacional.

"O mercado brasileiro já tinha antecipado essa safra grande. Agora ele começa a olhar para o lado da demanda de forma mais intensa. A gente já teve um movimento inicial de exportações e o mercado interno, em especial o etanol de milho, está muito firme nesse cenário do ciclo 25/26", destacou Nogueira. Para a Céleres, esse movimento de demanda aquecida — tanto doméstica quanto exportadora — tende a reduzir os estoques finais do ciclo 2025/26 e dar suporte às cotações no segundo semestre.

O que esperar para Mato Grosso do Sul no segundo semestre

Para os produtores sul-mato-grossenses, o quadro atual combina dados positivos e um horizonte ainda incerto. A safrinha de Mato Grosso do Sul seguiu dentro do esperado em volume, sem os problemas de produtividade registrados em estados como Minas Gerais, parte de Goiás e o Vale do Araguaia, em Mato Grosso. Isso posicionou o estado com estoque suficiente tanto para o abastecimento interno quanto para contribuir com o fluxo de exportações.

O crescimento da demanda das indústrias de ração e, principalmente, das usinas de etanol de milho — setor em franca expansão no Centro-Oeste — deve absorver parcela relevante da produção disponível e sustentar os preços ao longo dos próximos meses. A avaliação da Céleres Consultoria é de que o piso de preços foi encontrado após as quedas dos últimos dois meses, mas agosto ainda exigirá atenção: a definição mais clara sobre o tamanho da safra americana será o principal termômetro das próximas semanas nos mercados internacionais — e seus reflexos chegarão diretamente às cotações praticadas no interior do estado.

Fontes: CÉLERES CONSULTORIA, CBOT, B3


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