China volta a comprar soja dos EUA em volume recorde e pressiona mercado global

Negociações comerciais entre Washington e Pequim impulsionam compras de ao menos 840 mil toneladas em um único dia, movimentando preços em Chicago.

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China volta a comprar soja dos EUA em volume recorde e pressiona mercado global
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Compradores vinculados ao governo chinês adquiriram, na última sexta-feira, ao menos 14 carregamentos de soja norte-americana — oito com origem em terminais da Costa do Golfo e seis a partir de portos do Noroeste do Pacífico —, totalizando um volume mínimo de 840 mil toneladas métricas para embarque em outubro e novembro. A informação foi confirmada por dois traders americanos com conhecimento direto das operações e divulgada pela Reuters a partir de Chicago.

A transação está entre as maiores compras diárias chinesas registradas neste mês e marca a consolidação de um movimento que ganhou força no final de junho, quando a China retomou aquisições de soja norte-americana após meses de recuo. O pano de fundo é uma distensão nas relações comerciais entre as duas maiores economias do planeta — e seus reflexos chegam diretamente ao produtor sul-mato-grossense, que compete nesse mesmo mercado.

O que está por trás da volta chinesa ao mercado americano

Durante boa parte do ano passado, a China deliberadamente reduziu suas compras nos Estados Unidos, beneficiando-se da farta oferta de soja brasileira — mais barata e geograficamente estratégica. A retomada agora está diretamente ligada a negociações comerciais recentes entre Washington e Pequim. Segundo a Casa Branca, as conversas incluíram compromissos do lado chinês de adquirir 25 milhões de toneladas de soja americana por ano e ampliar a compra de outros produtos agrícolas norte-americanos.

No acumulado das últimas semanas, as aquisições chinesas de origem governamental já ultrapassam 3 milhões de toneladas métricas. Importante notar: quem está comprando são os compradores estatais — não os importadores comerciais privados, que normalmente respondem por cerca de dois terços do total importado e seguem preferindo a América do Sul, onde os preços continuam mais competitivos.

Sinograin libera espaço nos armazéns para receber carga americana

Para abrir capacidade de armazenamento e receber os carregamentos que estão a caminho, a Sinograin — estatal chinesa responsável pela gestão das reservas estratégicas do país — realizou um dos maiores leilões de soja importada desde janeiro. No pregão de sexta-feira, foram ofertadas 504 mil toneladas métricas, das quais cerca da metade foi arrematada. A empresa já anunciou novo leilão para a próxima quarta-feira, desta vez com 501 mil toneladas, e o mercado espera que volumes semelhantes sejam colocados à venda nas semanas seguintes.

A movimentação logística da Sinograin é um sinal claro de que a China está se preparando para receber volumes crescentes de soja americana — o que, por si só, já foi suficiente para provocar fortes valorizações nos contratos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago (CBOT) na segunda-feira.

O que isso significa para a soja de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul é um dos principais estados produtores de soja do Brasil, com safras crescentes e forte dependência do mercado externo para escoar a produção. A retomada das compras chinesas de soja americana, embora represente uma concorrência direta, também sinaliza aquecimento global da demanda — o que, historicamente, tende a sustentar preços no mercado internacional e beneficiar produtores brasileiros no médio prazo.

O cenário, no entanto, exige atenção. Os traders ouvidos pela Reuters são claros: os embarques brasileiros seguem mais baratos do que os norte-americanos, e os importadores comerciais chineses — que respondem pela maior fatia das compras — continuam preferindo a origem sul-americana. A tendência é que o Brasil mantenha sua posição dominante no fornecimento à China, especialmente entre outubro e o início da safra americana.

Com a visita do presidente chinês Xi Jinping à Casa Branca prevista para o final de setembro — quando novas negociações comerciais com Donald Trump estão na agenda —, traders do setor apostam que as compras estatais chinesas de soja americana devem continuar. A questão que o produtor brasileiro, e o sul-mato-grossense em particular, acompanha de perto é até que ponto esse compromisso político se traduzirá em volumes que de fato disputem fatia de mercado com a soja do Brasil.

Fontes: REUTERS, NOTICIAS AGRICOLAS


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