Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro tem efeito limitado, avalia setor

Unem avalia que impacto do tarifaço americano é restrito porque o Brasil mudou seu perfil de exportação de etanol de milho nos últimos anos.

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Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro tem efeito limitado, avalia setor
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A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) concluiu que a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao etanol brasileiro, anunciada no final de julho de 2026, tem alcance limitado sobre o setor produtivo nacional — ainda que a entidade condene a medida como um retrocesso nas relações bilaterais e na agenda global de transição energética.

O cenário é bem diferente do que seria há alguns anos. O Brasil deixou de depender do mercado americano como destino prioritário para seu etanol de milho, o que reduz o peso prático da sobretaxa. Ao mesmo tempo, a expansão interna da indústria segue em ritmo acelerado, sustentada por políticas domésticas que ampliam a demanda pelo biocombustível no próprio território nacional.

Por que o tarifaço americano não assusta tanto o setor

A diretora de relações internacionais e comunicação da Unem, André Veríssimo, explica que o Brasil simplesmente não ocupa mais o papel de grande fornecedor de etanol aos Estados Unidos — o que era uma realidade em períodos anteriores. Com o reequilíbrio das trocas comerciais ao longo dos últimos anos, a sobretaxa americana incide sobre um volume de exportações que já não é central para a receita do setor.

A crítica da Unem, no entanto, vai além dos números imediatos. A entidade enxerga na medida um sinal político preocupante: ao taxar o etanol verde brasileiro, os EUA acabam contrariando seus próprios compromissos com a descarbonização da matriz energética. "É um retrocesso à cooperação bilateral e à transição energética global", apontou a entidade em seu posicionamento oficial.

Expansão interna garante fôlego ao setor

O que sustenta a confiança do setor, mesmo diante da pressão externa, é a robustez do mercado interno. O Brasil conta atualmente com 29 biofinarias de etanol de milho em operação e outras 14 unidades em construção — um número que evidencia a força de um segmento ainda jovem, mas em plena ascensão. A produção de milho em estados como Mato Grosso do Sul alimenta diretamente essa cadeia, posicionando o Centro-Oeste como um dos pilares dessa expansão.

Outro fator que amplia a demanda doméstica é a perspectiva de elevação do mandato de mistura de etanol na gasolina, que deve subir do atual patamar de E30 para E32. Esse avanço representa, na prática, mais litros de etanol absorvidos internamente a cada tanque cheio no Brasil — um estímulo direto à produção que independe de qualquer política tarifária americana. O programa RenovaBio também é apontado pela Unem como ferramenta essencial para garantir a rentabilidade das empresas do setor, ao reconhecer financeiramente os créditos de descarbonização gerados pelos biocombustíveis.

O que muda para Mato Grosso do Sul

Para Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores produtores de milho do país e que abriga plantas de etanol em expansão, o cenário desenhado pela Unem é de cautela otimista. O mercado interno em crescimento e os mandatos de mistura em alta sustentam os investimentos previstos na região, enquanto a dependência do mercado americano — reduzida ao longo dos anos — amortece o efeito da tarifa sobre as operações locais.

A Unem também destacou que as exigências técnicas e ambientais impostas às empresas brasileiras são equivalentes às cobradas das americanas, o que reforça a competitividade do etanol nacional em termos de qualidade. Se, por um lado, o tarifaço fecha uma janela de exportação, por outro, o setor tem argumentos sólidos para seguir crescendo com os olhos voltados para dentro do próprio país — e para vizinhos do Mercosul que avançam em políticas de biocombustíveis.

Fontes: UNEM — UNIÃO NACIONAL DO ETANOL DE MILHO, CANAL RURAL


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