Real se valoriza e dólar fecha a R$ 5,06, menor patamar desde junho

Inflação americana abaixo do esperado abriu espaço para queda da moeda americana; Ibovespa avançou quase 2% no mesmo pregão

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Real se valoriza e dólar fecha a R$ 5,06, menor patamar desde junho
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O real registrou sua melhor performance em quase dois meses nesta quinta-feira, 30 de julho, com o dólar encerrando o pregão cotado a R$ 5,061 — recuo de 0,93% em relação ao dia anterior. A virada veio de Washington: dados divulgados pelo governo americano mostraram que a inflação ao consumidor nos Estados Unidos desacelerou além do esperado em junho, reduzindo a pressão sobre o Federal Reserve para manter juros elevados e, com isso, abrindo espaço para a valorização de moedas emergentes ao redor do mundo, incluindo o real.

O movimento não ficou restrito ao câmbio. A Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) saltou 1,88%, fechando aos 177.158 pontos, e recuperou integralmente as perdas sofridas na véspera, quando o próprio Fed havia sinalizado cautela em sua reunião de política monetária. Para o consumidor brasileiro — e especialmente para quem vive na fronteira de Mato Grosso do Sul, onde o dólar é referência cotidiana no comércio com o Paraguai e na importação de insumos —, a queda representa um alívio direto no bolso.

O que a inflação americana tem a ver com o seu bolso

O indicador que moveu os mercados foi o núcleo do PCE (índice de preços de gastos com consumo), a medida de inflação preferida do Fed para calibrar os juros. Em junho, esse núcleo avançou apenas 0,1% — metade do 0,2% que o mercado projetava. O dado reforçou a leitura de que o banco central americano pode encerrar o ciclo de aperto monetário sem novos aumentos no curto prazo.

Quando os juros nos Estados Unidos param de subir, o dólar perde atratividade como ativo de renda fixa seguro. Investidores globais, em busca de retornos maiores, redirecionam capital para mercados emergentes — e o Brasil é um dos principais destinos. Esse fluxo aumenta a oferta de dólares no mercado interno, pressionando a moeda americana para baixo. O índice DXY, que compara o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,93% no mesmo período, puxado principalmente pela valorização do iene japonês.

Bolsa dispara e mercado recupera perdas recentes

O Ibovespa foi o termômetro mais visível da virada de humor. Bancos, petroleiras e mineradoras — que têm maior peso no índice — lideraram as altas e puxaram o pregão para o território positivo. No exterior, o movimento foi igualmente expressivo: o Dow Jones avançou 1,19%, o S&P 500 subiu 1,67% e a Nasdaq, índice das empresas de tecnologia, registrou alta de 2,78%.

No front interno, os mercados também foram alimentados pela expectativa crescente de corte na taxa Selic nos próximos meses. Com a inflação brasileira dando sinais de acomodação, operadores passaram a precificar um cenário de juros domésticos menores à frente — o que estimula o apetite por ações e ativos de maior risco no mercado local.

Petróleo recua apesar das tensões no Oriente Médio

O petróleo caminhou na direção contrária à Bolsa: o barril tipo Brent — referência internacional — encerrou o dia a US$ 86,88, queda de 1,37%. O WTI, do Texas, caiu 1,03%, para US$ 83,59. Nas madrugadas, as cotações chegaram a disparar em reação a novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã, mas o mercado foi reduzindo o chamado prêmio de risco ao avaliar que o fluxo pelo Estreito de Ormuz — corredor vital para a exportação de petróleo do Golfo Pérsico — ainda não sofreu interrupção permanente.

A atenção dos investidores agora se volta para a reunião da Opep+, marcada para este domingo, quando o grupo de países produtores pode discutir ajustes nos níveis de produção. A decisão tem potencial de movimentar os preços do petróleo e, por consequência, influenciar os custos de combustíveis e transportes no Brasil — incluindo o agronegócio sul-mato-grossense, altamente dependente do diesel para escoar safras.

Para Mato Grosso do Sul, onde a dinâmica do câmbio impacta desde o comerciante de Ponta Porã, que compra mercadoria no Paraguai, até o produtor rural de Dourados, que negocia contratos em dólar na exportação de soja e milho, este fechamento de pregão representa um sinal positivo — ainda que o mercado financeiro continue monitorando os desdobramentos geopolíticos e a trajetória dos juros americanos nas próximas semanas.

Fontes: AGÊNCIA BRASIL, REUTERS


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