Defensivos no arroz irrigado somam R$ 1,5 bi, mas setor enfrenta margens apertadas

Estudo da Kynetec aponta queda de 2% no mercado de defensivos para arroz irrigado na safra 2025-26, com área cultivada menor e preço da commodity no piso desde 2020.

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Defensivos no arroz irrigado somam R$ 1,5 bi, mas setor enfrenta margens apertadas
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O mercado de defensivos agrícolas voltado ao arroz irrigado no Brasil movimentou US$ 262 milhões — cerca de R$ 1,5 bilhão — na safra 2025-26, uma queda de 2% em relação ao ciclo anterior, quando o setor havia registrado US$ 267 milhões. O recuo, identificado pelo estudo FarmTrak Arroz Irrigado da consultoria Kynetec Brasil, reflete um cenário de dupla pressão sobre os rizicultores: menos terra plantada e preços da commodity nos menores patamares desde 2020.

O levantamento, baseado em quase 380 entrevistas presenciais com produtores nas principais regiões rizícolas do país — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins —, revela que a retração da lavoura foi mais intensa do que os números finais sugerem. Sem o aumento no número de tratamentos por hectare adotado pelos agricultores, a queda teria sido consideravelmente maior.

Mais tratamentos por hectare segurou a queda do mercado

A área cultivada com arroz irrigado encolheu 6%, chegando a 1,146 milhão de hectares, enquanto os custos médios de aplicação recuaram 7%. O fator que impediu uma derrocada mais expressiva foi o crescimento no número médio de tratamentos aplicados pelos produtores: de 16 por safra em 2023-24, esse indicador saltou para 19 em 2025-26, uma alta de 10% em apenas uma temporada. "Eram 16 em 2023-2024 e subiram para 19 em 2025-26, alta de 10% ante 2024-25, compensando demais fatores desfavoráveis", explicou Gabriel Baracat Pedroso, especialista em pesquisas da Kynetec Brasil. O indicador PAT — área potencial tratada, que soma todas as aplicações realizadas — cresceu 4%, alcançando 21,967 milhões de hectares.

Entre os manejos que mais influenciaram os resultados, destacaram-se a dessecação de plantio, o controle da brusone e de manchas foliares, além do combate a lagartas. O uso de lagarticidas chamou atenção: cobriu 60% da área total plantada, com o número médio de tratamentos saltando de 1,9 para 2,4 em um único ano — movimento associado, em parte, à dificuldade de produtores em manter a lâmina d'água nas lavouras em determinadas regiões.

Herbicidas dominam, mas fungicidas e inseticidas sustentam demanda

Os herbicidas mantiveram a liderança absoluta entre os defensivos mais utilizados na rizicultura irrigada, respondendo por 65% do mercado, ou US$ 170 milhões — contra US$ 175 milhões da safra anterior. Os fungicidas ocuparam o segundo lugar, com vendas de US$ 43 milhões (16% do total), ante US$ 46 milhões no período 2024-25. Inseticidas e produtos para tratamento de sementes completaram o ranking, com US$ 19 milhões e US$ 15 milhões, representando 7% e 6% do mercado, respectivamente — ambos praticamente estáveis frente à safra passada. Outros produtos somaram os 5% restantes, equivalentes a US$ 15 milhões.

O cenário reflete, segundo Pedroso, uma tendência estrutural de intensificação dos manejos. "Ano após ano, os desafios à produção se intensificam. Manejos se tornam mais complexos, robustos e onerosos ao agricultor, frente a pressões crescentes de pragas, doenças, plantas daninhas e da perda de eficácia de ativos químicos e biotecnologias", afirmou o especialista, acrescentando que "as margens do produtor estão apertadas, pois, concomitantemente, o preço da commodity passa pelos mais baixos valores desde 2020."

O que este cenário representa para o agronegócio de Mato Grosso do Sul

Embora Mato Grosso do Sul não figure entre os maiores produtores de arroz irrigado do país — posto ocupado por Rio Grande do Sul e Santa Catarina —, o estado acompanha de perto os movimentos do mercado de insumos agrícolas. As distribuidoras e revendas de defensivos que operam em MS têm no comportamento dos grandes mercados nacionais um termômetro para ajustar estoques, precificação e estratégias comerciais. A queda nos preços do arroz e a compressão das margens dos produtores também sinalizam cautela no crédito rural e nas decisões de expansão de área em culturas concorrentes.

Para o setor produtivo sul-mato-grossense, o dado mais relevante pode estar na tendência de aumento de tratamentos por hectare: mesmo com menos área e preços baixos, os agricultores brasileiros têm intensificado o uso de defensivos para defender produtividade — comportamento que tende a se refletir em outras culturas relevantes para MS, como soja e milho, à medida que pragas e resistência química continuam avançando nas lavouras do Centro-Oeste.

Fontes: KYNETEC BRASIL


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