O mercado futuro do milho encerrou a sessão desta quinta-feira, 30, com comportamento misto tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto na B3 brasileira: enquanto os contratos de curto prazo recuaram, os vencimentos mais distantes — com entrega prevista para 2027 — sustentaram valorização, sinalizando que o cenário estrutural para o cereal segue favorável. O dado que animou o mercado foi divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ao longo do pregão: na semana encerrada em 23 de julho, as exportações americanas de milho somaram 1,062 milhão de toneladas, bem acima da expectativa do mercado, que projetava entre 400 mil e 800 mil toneladas.
O número surpreendente reforça uma tendência que analistas do setor já vinham acompanhando: o programa de exportação para a safra nova avança em ritmo superior ao registrado nos mesmos períodos das últimas temporadas. Para produtores e exportadores de Mato Grosso do Sul — estado que figura entre os principais produtores de milho do Brasil —, esse cenário externo favorável pode se traduzir em preços mais firmes nas próximas semanas.
Na CBOT, os vencimentos com entrega mais próxima registraram perdas moderadas. O contrato para setembro de 2026 fechou a US$ 4,45, com queda de 0,72% em relação ao fechamento de quarta-feira. O dezembro/26 foi negociado a US$ 4,687, recuo de 0,69%. Já os contratos mais longos amorteceram melhor o movimento vendedor: o março/27 saiu a US$ 4,84 (baixa de 0,56%) e o maio/27 a US$ 4,93, com a menor perda do dia, de apenas 0,45%.
Os analistas da Agrinvest apontam que o recuo nos vencimentos curtos não compromete a leitura positiva do mercado. "O programa de exportação para a safra nova segue forte, com as vendas semanais superando o ritmo acumulado do mesmo período em comparação com as últimas safras", destacou a consultoria em nota distribuída ao mercado.
No mercado doméstico, a B3 apresentou movimentação semelhante à de Chicago, mas com um elemento diferenciador: a crescente competitividade do milho nacional no mercado asiático está dando suporte aos preços. "O milho brasileiro volta a ganhar competitividade na Ásia, favorecendo a retomada do interesse comprador e dando suporte ao mercado", avaliou a Agrinvest.
Os contratos na bolsa brasileira encerraram com ajustes modestos. O vencimento setembro/26 foi cotado a R$ 69,70 a saca, com perda de 0,41%. O janeiro/27 saiu a R$ 77,74 (queda de 0,21%) e o março/27 a R$ 79,52, com baixa de 0,19%. O destaque positivo ficou com o maio/27, único vencimento a fechar no azul, a R$ 78,61 com valorização de 0,14% — um sinal de que o mercado aposta em fundamentos sólidos para o cereal no médio prazo.
No mercado físico brasileiro, o preço da saca de milho variou pouco nesta quinta-feira. As únicas altas registradas foram nas praças de Sorriso (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA), enquanto as demais regiões produtoras operaram com estabilidade.
Para Mato Grosso do Sul, o panorama do dia reforça a atenção que os produtores estaduais devem manter sobre dois vetores: o ritmo das exportações americanas — que, ao se manterem acima do esperado, podem elevar a demanda global e pressionar preços para cima — e a trajetória do milho brasileiro no mercado asiático, nicho em que o produto nacional tem recuperado espaço frente à concorrência. Com a segunda safra em processo de comercialização em várias regiões do estado, qualquer movimento mais expressivo nessas frentes deve repercutir rapidamente nos preços praticados pelas tradings instaladas no MS.
O próximo pregão, na sexta-feira, será acompanhado com atenção pelo setor, especialmente após os dados do USDA terem superado projeções de forma tão expressiva.
Fontes: AGRINVEST, USDA, NOTÍCIAS AGRÍCOLAS