O Dia da Amizade — comemorado no Paraguai em 30 de julho — ganhou um tempero especial nesta quinta-feira em Assunção: o governo paraguaio promoveu feiras simultâneas de agricultura familiar na orla da Costanera e na Plaza Eligio Ayala, em frente ao Congresso Nacional, reunindo 880 produtores rurais de 20 organizações dos departamentos de Guairá, Caaguazú, Caazapá, Paraguarí, Alto Paraná e Central. O evento arrancou às 6h da manhã e se estendeu até o esgotamento do estoque.
A data foi escolhida a dedo pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai, que enxergou na celebração popular uma janela para aproximar o produtor do campo do consumidor urbano — e ao mesmo tempo aquecer a renda das famílias rurais que dependem desses canais de comercialização direta. A iniciativa é coordenada pelas Direções de Comercialização e Extensão Agrária, vinculadas ao programa PIMA do ministério.
Quem passou pela Costanera ou pela praça em frente ao Congresso encontrou uma variedade que vai bem além do esperado em uma feira de agricultura familiar. Além dos clássicos como queijo paraguaio, mandioca, batata-doce e mel de abelha, os estandes exibiam carne de porco, leitão, cabra, ovelha, galinha caipira, pato e ovos caipiras. Para quem chegou mais cedo, havia também alho, tomate, pimentão, frutas da estação, grãos variados, artesanatos e plantas — um recorte genuíno da produção familiar do interior paraguaio trazido diretamente à capital.
A lógica por trás do modelo é simples e eficiente: ao eliminar intermediários, o produtor amplia sua margem e o comprador paga menos. Para os moradores de Assunção — e também para os brasileiros que vivem perto da fronteira e cruzam para fazer compras —, esse tipo de feira representa acesso direto a produtos frescos que raramente chegam às gôndolas dos supermercados convencionais.
Um dos destaques desta edição ficou por conta da empresa Frigo 2.000, que montou um espaço exclusivo nas feiras para a venda direta de 3.000 quilos de cortes variados de carne bovina — também a partir das 6h, enquanto o estoque durasse. O cardápio de cortes incluía peceto, costela, bife ancho, agulha, coxão duro, mondongo, língua e miúdos, todos comercializados por valores abaixo do praticado no varejo tradicional.
A escolha do Dia da Amizade como pano de fundo para a oferta de carne não foi acidental. O "asado" — o churrasco à moda paraguaia — é o ritual central das comemorações da data no país, e garantir acesso a cortes de qualidade a preços acessíveis foi apresentado pelo ministério como uma forma concreta de homenagear a ocasião. Para milhares de famílias de renda mais baixa em Assunção, isso faz diferença real no orçamento doméstico.
Para o leitor de Mato Grosso do Sul — especialmente quem vive em cidades como Ponta Porã, Mundo Novo ou Bela Vista, com travessia cotidiana para o Paraguai —, eventos como este mostram uma faceta do país vizinho que vai além do comércio de eletrônicos e cigarros. O agronegócio familiar paraguaio é robusto, diversificado e cada vez mais presente no cotidiano urbano de Assunção. Feiras como a da Costanera são parte de uma política estruturada de inclusão produtiva que o governo paraguaio vem ampliando nos últimos anos.
O fortalecimento dos canais de venda direta no Paraguai também pode impactar a dinâmica de abastecimento regional: produtores de departamentos como Alto Paraná, que faz fronteira com o Brasil, participam ativamente dessas feiras e constroem redes que, indiretamente, influenciam o fluxo de produtos na faixa de fronteira. Compreender esse ecossistema agrícola do lado paraguaio é parte essencial para quem acompanha o desenvolvimento econômico da região de fronteira sul-mato-grossense.
Fontes: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO PARAGUAI, AGÊNCIA IP