Safra recorde de milho em MT chega a 57 mi de toneladas, mas chuvas atrasam colheita do algodão

Relatório do Imea aponta que indústria de etanol sustenta preços ao absorver excesso de oferta, enquanto algodão acumula atraso de quase 8 pontos percentuais na colheita

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Safra recorde de milho em MT chega a 57 mi de toneladas, mas chuvas atrasam colheita do algodão
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A colheita do milho segunda safra em Mato Grosso chega à reta final com uma produção estimada em 57,06 milhões de toneladas — marca 2,92% superior à do ciclo anterior e a maior já registrada no estado, segundo relatório divulgado pelo Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). Até a última sexta-feira, 90,66% da área prevista já havia sido colhida, com avanço semanal de 11,74 pontos percentuais impulsionado pela sequência de tempo firme na região.

O recorde de produção, no entanto, não chegou desacompanhado de desafios. A abundância de grãos no mercado pressiona os preços para baixo — e a saída encontrada, ao menos parcialmente, está na própria indústria nacional de biocombustíveis, que tem absorvido quantidades crescentes de milho para a fabricação de etanol.

Etanol segura preços diante do excesso de oferta

Com os celeiros cheios, o risco imediato para o produtor seria a queda acentuada nos preços pagos pelo milho. O Imea aponta, porém, que esse cenário tem sido atenuado por uma demanda interna aquecida. "A indústria de etanol segue ampliando as aquisições de milho, contribuindo para limitar a pressão da maior oferta sobre os preços", registra o relatório técnico do instituto. A expansão das usinas de etanol de milho no Centro-Oeste tem se consolidado como um contrapeso relevante ao excedente gerado pelas safras recordes, criando uma nova dinâmica de mercado para a commodity.

O papel estratégico do etanol de milho vai além do equilíbrio imediato de preços: ele representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil processa e valoriza sua produção graneleira, reduzindo a dependência exclusiva das exportações e criando valor agregado dentro do próprio estado produtor.

Algodão acumula atraso e chuvas de junho preocupam qualidade da fibra

Enquanto o milho corre para o fim da colheita, o algodão mato-grossense ainda engatinha. Apenas 13,11% da área cultivada havia sido colhida até a última semana — índice 7,86 pontos percentuais abaixo da média dos últimos cinco anos para o mesmo período. O atraso tem origem clara: as chuvas registradas em meados de junho de 2026 postergaram o início das operações de campo. "Esse atraso reflete, principalmente, a postergação do início dos trabalhos em campo em decorrência das chuvas registradas em meados de junho", explica o Imea. A expectativa é que o ritmo se intensifique nas próximas duas semanas.

Além do atraso no calendário, os produtores de algodão enfrentam outro problema: a qualidade da pluma foi afetada pelas mesmas chuvas. O Imea reconhece que, embora a produtividade não tenha sofrido danos expressivos, "houve relatos de perdas na qualidade da fibra, fator que tem gerado preocupação entre os cotonicultores". A fibra de menor qualidade tende a ser negociada com desconto no mercado, o que pode comprometer a rentabilidade da lavoura mesmo com colheita volumosa.

O que esse cenário significa para Mato Grosso do Sul

A produção recorde de milho em Mato Grosso impacta diretamente o mercado regional. Mato Grosso do Sul, segundo produtor nacional de milho segunda safra, opera no mesmo calendário agrícola e enfrenta dinâmicas de preço semelhantes. A expansão do etanol de milho como demanda de sustentação é uma tendência que deve se intensificar também em MS, onde novas plantas industriais estão em diferentes fases de projeto e instalação.

Para o produtor sul-mato-grossense, a sinalização do Imea serve de bússola: a pressão sobre os preços do milho existe, mas há amortecedores funcionando. Já no algodão, as chuvas de junho — que atingiram tanto MT quanto MS — acendem um alerta sobre o padrão climático desta safra e seus efeitos sobre a qualidade da fibra, variável que só será mensurada com precisão ao fim da colheita, prevista para avançar nas próximas semanas.

Fontes: IMEA


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