A navegação pelo Rio Paraguai tem sido determinante para a expansão da atividade mineral em Mato Grosso do Sul, especialmente na região de Corumbá. Segundo a direção da LHG Mining, o uso da hidrovia foi fundamental para que a empresa quadruplicasse sua produção de minério de ferro nos últimos dois anos, com perspectiva de dobrar novamente a capacidade até 2028.
Atualmente, cerca de 80% do minério produzido pela mineradora é escoado por meio do rio, seguindo até o Uruguai e, posteriormente, para mercados como China e Europa. O modelo reduziu a dependência do transporte rodoviário e passou a ser o principal eixo logístico da operação.
Para garantir a navegação mesmo em períodos de estiagem, a empresa tem atuado em dragagens de manutenção e derrocamento, em parceria com autoridades e dentro dos limites ambientais estabelecidos. Entre 2024 e 2026, o leito do rio foi aprofundado em cerca de 60 centímetros, melhorando as condições de transporte.
Investimentos e logística fluvial
Sem expectativa de curto prazo para ampliação do transporte ferroviário, a LHG Mining optou por fortalecer sua estrutura fluvial. A empresa ampliou sua frota de 18 para 28 rebocadores e planeja operar com 400 barcaças. Para viabilizar a expansão, obteve em 2024 um financiamento de R$ 3,7 bilhões junto ao BNDES, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).
A mineradora possui porto próprio e atua nos municípios de Corumbá e Ladário, onde estão localizadas as minas de Santa Cruz e Urucum, regiões com reservas expressivas de minério de ferro de alto teor e manganês. O plano estratégico prevê elevar a produção anual de 12 milhões para 25 milhões de toneladas, consolidando a empresa entre as maiores detentoras de jazidas de ferro de qualidade superior no mundo.
Debate sobre a hidrovia e o Pantanal
O avanço da logística fluvial ocorre em paralelo às discussões do Governo Federal sobre a transformação do Rio Paraguai em hidrovia concedida, debate que envolve também países vizinhos como Paraguai e Bolívia, além de atenção especial aos impactos sobre o bioma Pantanal.
Nos debates já realizados, foi assumido o compromisso de que as intervenções se limitem a dragagens de manutenção, sem alterações estruturais no fluxo do rio, preservando suas características ambientais. A Hidrovia Paraguai–Paraná é apontada como um dos projetos mais avançados na agenda federal de transporte interior.
Para o setor produtivo, o transporte fluvial representa redução de custos logísticos, menor emissão de poluentes e maior eficiência energética, sendo considerado um vetor estratégico para o crescimento sustentável da mineração e da indústria naval no país.