Custos de produção de suínos recuam e frango de corte apresenta estabilidade

Levantamento da Embrapa aponta queda de 1,39% no quilo do suíno vivo em Santa Catarina; ração segue como o principal impacto financeiro para o produtor

Por -Gabriela Porto
Custos de produção de suínos recuam e frango de corte apresenta estabilidade
Essa redução foi puxada principalmente pela queda no preço da ração, que representa a maior parte dos gastos do produtor. - Foto: Reprodução / Acrisul
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Em fevereiro, a suinocultura no Brasil teve uma queda nos custos de produção, com Santa Catarina registrando R$ 6,36 por quilo de suíno vivo, uma redução de 1,39% em relação a janeiro. Em contrapartida, a avicultura de corte no Paraná viu a estabilidade nos preços, com o custo do quilo de frango vivo aumentando apenas R$ 0,01, totalizando R$ 4,72. No entanto, a aquisição de pintos de um dia gerou pressão inflacionária significativa, com alta de mais de 18% no ano. A Embrapa busca oferecer suporte técnico e ferramentas de gestão digital para ajudar os produtores a gerirem custos e maximizar lucros.

O cenário para a suinocultura e a avicultura de corte no Brasil apresentou comportamentos distintos durante o mês de fevereiro, conforme os dados mais recentes divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa Suínos e Aves. Enquanto os produtores de suínos viram uma folga nos custos operacionais, o setor de frangos de corte enfrentou um período de manutenção de preços, operando em patamares de estabilidade técnica. Os Índices de Custo de Produção são ferramentas fundamentais para que o pecuarista consiga mensurar a viabilidade do negócio frente às oscilações do mercado de insumos.

Em Santa Catarina, estado que figura como a principal referência nacional para a suinocultura, o custo para produzir um quilo de suíno vivo fechou o mês de fevereiro em seis reais e trinta e seis centavos. O valor representa uma retração de um vírgula trinta e nove por cento na comparação direta com o mês de janeiro, quando o custo estava fixado em seis reais e quarenta e cinco centavos. Esse movimento de queda é um alento para o setor, que já acumula no primeiro bimestre de dois mil e vinte e seis uma redução de um vírgula setenta e sete por cento. No recorte dos últimos doze meses, o índice demonstra uma variação quase nula, de apenas menos zero vírgula zero quatro por cento, sinalizando uma recuperação nas margens de lucro após períodos de alta volatilidade.

O grande fiel da balança para o suinocultor continua sendo a nutrição animal. A ração foi responsável por setenta e um vírgula noventa e dois por cento de todo o custo total de produção registrado em fevereiro. No mês, esse insumo específico teve uma queda de um vírgula zero oito por cento, o que impulsionou o recuo do índice geral. Analisando o acumulado do ano, a economia com alimentação animal já chega a um vírgula quarenta e dois por cento, fator que permite ao produtor planejar melhor seus investimentos em infraestrutura e manejo dentro da granja.

Já na avicultura de corte, tomando como base o estado do Paraná, líder nacional na produção de aves, o cenário foi de estabilidade absoluta. O custo do quilo do frango vivo subiu apenas um centavo de real, atingindo a marca de quatro reais e setenta e dois centavos. Essa variação de zero vírgula dezesseis por cento é considerada estatisticamente irrelevante para grandes operações, embora o acumulado do ano mostre uma alta de um vírgula quarenta por cento. Por outro lado, o produtor que olha para o histórico de longo prazo encontra um dado positivo: nos últimos doze meses, o custo de produção do frango caiu três vírgula quinze por cento no território paranaense.

Um ponto de atenção na cadeia avícola é o valor de reposição dos planteis. A aquisição de pintos de um dia, que compromete quase dezenove por cento dos custos totais, apresentou uma leve queda mensal, mas carrega uma pressão inflacionária pesada no acumulado de um ano, com alta superior a dezoito por cento. Esse descompasso entre a queda de alguns insumos e a alta do material genético exige uma gestão financeira milimétrica por parte dos integrados e produtores independentes.

Além de Santa Catarina e Paraná, a Embrapa monitora constantemente os custos em praças estratégicas como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O objetivo é fornecer subsídios técnicos que evitem prejuízos por falta de previsibilidade econômica. Para auxiliar nessa tarefa, a instituição disponibiliza tecnologias de gestão digital, como o aplicativo Custo Fácil. A ferramenta permite que o produtor rural gere relatórios detalhados, separando inclusive o que é custo de produção direto do que é mão de obra familiar, garantindo uma visão real da lucratividade da propriedade. Também estão disponíveis planilhas de custos para granjas integradas, facilitando o diálogo entre o produtor e a agroindústria.


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