Expansão dos laranjais transforma Mato Grosso do Sul

Investimentos bilionários colocam o Estado como nova fronteira da citricultura brasileira

Por

Mato Grosso do Sul está vivendo uma rápida expansão da citricultura e se consolidando como uma das principais novas fronteiras para a produção de laranja no Brasil. O movimento é liderado por grandes empresas do setor, entre elas o Grupo Cutrale, maior exportador brasileiro de suco de laranja, que escolheu o Estado para ampliar seus investimentos diante dos desafios enfrentados pelos tradicionais polos produtores do Sudeste. 

O principal projeto da Cutrale está localizado na Fazenda Aracoara, na região entre Sidrolândia e Campo Grande. A empresa está investindo inicialmente R$ 500 milhões no plantio de aproximadamente 5 mil hectares de laranjais irrigados, com possibilidade de expansão para até 30 mil hectares no futuro. A iniciativa prevê o cultivo de cerca de 1,73 milhão de pés de laranja e pode abrir caminho para a instalação de uma indústria de processamento de suco em Mato Grosso do Sul. 

A escolha pelo Estado não ocorreu por acaso. Um dos principais atrativos é a ausência do greening, considerada a doença mais devastadora da citricultura mundial. Enquanto estados como São Paulo e Paraná enfrentam perdas significativas nos pomares por causa da doença, Mato Grosso do Sul implantou uma política rigorosa de defesa sanitária para impedir sua entrada no território estadual. 

O governador Eduardo Riedel já classificou a citricultura como uma "nova divisa de prosperidade" para Mato Grosso do Sul. Durante visita aos pomares da Cutrale, destacou que a atividade tem potencial para gerar emprego, renda e diversificar a matriz econômica do Estado, historicamente ligada à pecuária, grãos e, mais recentemente, à celulose. 

Estado quer chegar a 50 mil hectares de laranja

O avanço da cultura vai muito além da Cutrale. Dados da Semadesc mostram que Mato Grosso do Sul já possui mais de 7 milhões de mudas implantadas e projetos prospectados que somam cerca de 35 mil hectares. A meta estadual é atingir 50 mil hectares de pomares até 2030. 

Além da Cutrale, grupos como Citrosuco, Cambuy Agropecuária, Frucamp, Agro Terena e Junqueira Rodas também investem ou estudam investimentos em municípios como Três Lagoas, Paranaíba, Bataguassu, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Naviraí.

Empregos e industrialização

Atualmente, o projeto da Cutrale já gera centenas de vagas e deverá ampliar significativamente a demanda por mão de obra quando entrar em plena operação. Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, a fazenda deverá alcançar cerca de 4,8 mil hectares plantados e produzir até 8 milhões de caixas de laranja por ano quando os pomares atingirem maturidade produtiva. 

A expansão da citricultura também aumenta as expectativas pela instalação de fábricas de processamento de suco no Estado. Hoje, grande parte da produção é destinada às indústrias paulistas, mas o crescimento da área plantada pode tornar economicamente viável a criação de unidades industriais em Mato Grosso do Sul. 

Nova potência do agro

Com terra disponível, água, clima favorável, logística competitiva e controle sanitário rigoroso, Mato Grosso do Sul vem atraindo investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões apenas na cadeia citrícola. O Estado, que já se tornou referência mundial na produção de celulose, agora busca espaço entre os maiores produtores de laranja do país. 


Notícias Relacionadas »