O Brasil perdeu um importante nome da pecuária, Francisco José de Carvalho Neto, conhecido como Chico Ventania, que foi pioneiro na consolidação da raça Nelore no país. Ele importou mais de 200 cabeças de gado zebuíno da Índia em 1962, um marco para o desenvolvimento do Nelore moderno. Com uma trajetória dedicada ao melhoramento genético, foi reconhecido por seu trabalho que fortaleceu a presença do Nelore na produção de carne bovina no Brasil. Sua marca, "F", é um símbolo tradicional da pecuária zebuína, representando o esforço de gerações na busca pela qualidade genética do gado.
A pecuária brasileira amanheceu de luto nesta sexta-feira (13) com a morte do selecionador e pecuarista Francisco José de Carvalho Neto, um dos pioneiros na consolidação da raça Nelore no país.
Conhecido no meio agropecuário como Chico Ventania, ele era associado da Acrissul e teve sua trajetória reconhecida pela entidade durante a Expogrande 2018, quando um dos pavilhões do Parque de Exposições Laucídio Coelho recebeu seu nome.
Um dos momentos mais marcantes de sua história ocorreu em 1962, quando, aos 21 anos, viajou para a Índia e participou da importação de mais de 200 cabeças de gado zebuíno. A iniciativa foi considerada um marco para o desenvolvimento do Nelore moderno no Brasil.
A trajetória de Chico Ventania na pecuária começou no fim da década de 1950. Inicialmente, dedicou-se à criação da raça Gir, com apoio do amigo Luiz Vicente Lunardi. Poucos anos depois, passou a concentrar seu trabalho na seleção do Nelore.
Ele ficou conhecido por buscar animais diretamente na Índia, referência mundial em genética zebuína. Ao longo da vida, realizou oito viagens ao país asiático, onde adquiriu exemplares da linhagem pura Ongole.
Em uma dessas expedições, o gado foi transportado em um navio dinamarquês chamado “Cora”, que trouxe 296 animais em uma viagem de 39 dias até o desembarque em Fernando de Noronha, em 1º de janeiro de 1963.
Chico Ventania mudou-se para o então sul de Mato Grosso em 1965, ao lado da esposa, Áurea, instalando-se inicialmente em uma fazenda às margens do Rio Brilhante. Posteriormente, a família viveu em Dourados e, em 1972, estabeleceu o plantel da Fazenda Arroio Sexto.
Reconhecido como profundo conhecedor da raça Nelore, ele dedicava horas à observação do rebanho, estudando cruzamentos e características que pudessem fortalecer a rusticidade e a qualidade genética dos animais.
Seu trabalho contribuiu para consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais polos da pecuária nacional e ajudou a fortalecer a presença do Nelore como base da produção de carne bovina no Brasil.
Outro símbolo de seu legado é a marca “F”, que identifica a genética desenvolvida pela família Carvalho. Registrada oficialmente em 1920 no então Ministério da Agricultura por Francisco José de Carvalho, a marca foi a 47ª identificação de gado bovino registrada no país.
Ao longo das décadas, a marca se tornou um dos emblemas mais tradicionais da pecuária zebuína brasileira, representando o trabalho de gerações dedicadas ao melhoramento genético do Nelore.