A demanda interna por carne bovina e as exportações robustas sustentam os preços do boi gordo, que se mantém estável, com valores em São Paulo de R$ 352/@ e R$ 355/@ para o "boi-China". Apesar da pressão de compradores por preços mais baixos, os vendedores permanecem firmes e aguardam o desenrolar da situação, especialmente por conta da guerra no Oriente Médio. A consultoria Agrifatto aponta um aumento na distribuição e nas vendas ao consumidor final, impulsionado pelo pagamento de salários e benefícios sociais, enquanto a disponibilidade de animais competitivos prolonga as escalas de abate nos frigoríficos.
A expectativa de uma demanda interna mais robusta no curto prazo, aliada ao ritmo forte das exportações brasileiras de carne bovina in natura, ajuda a manter os preços do boi gordo estáveis nas principais regiões pecuárias do País, apesar da atual pressão de baixa por parte dos compradores.
Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$ 352/@ no mercado de São Paulo, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 355/@ (valores brutos, no prazo).
Ao longo da semana, tanto as vendas ao consumidor final quanto a distribuição de carne bovina com osso no atacado apresentaram desempenho satisfatório, refletido no aumento dos pedidos de reposição por parte do varejo, segundo dados apurados nesta sexta-feira (6/3) pela Agrifatto.
O movimento nos pontos de venda também ganhou força a partir de quinta-feira (5/3), com expectativa de maior fluxo no fim de semana, acrescenta a consultoria.
“O pagamento de salários e benefícios sociais referentes a fevereiro tende a ampliar a presença de consumidores em supermercados, varejões e açougues”, destaca a Agrifatto.
“Há muita especulação no mercado”, dizem os analistas da Scot, acrescentando que há relatos de negócios fechados abaixo das referências vigentes, principalmente envolvendo confinamentos.
No entanto, afirma a consultoria, esses volumes ainda não são suficientes para estabelecer uma nova referência de preços.
“Os compradores passaram a ofertar preços menores, mas a ponta vendedora segue firme, não cede, aguardando com calma o desenrolar da situação”, afirma a Scot, referindo-se sobretudo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que deixou os frigoríficos brasileiros na retranca, com parte da indústria reduzindo o ritmo dos abates para alongar as escalas e negociar com mais serenidade.
Segundo a Agrifatto, a maior disponibilidade pontual de animais a valores mais competitivos também contribuiu para o alongamento das escalas de abate dos frigoríficos brasileiros, que atualmente atendem, em média nacional, entre 6 e 7 dias úteis.
Ainda de acordo com análise da consultoria, atualmente,
“observa-se uma clara disputa entre frigoríficos e pecuaristas: enquanto a indústria atua com maior pressão sobre os preços e reduz o ritmo de aquisições, os produtores, em posição relativamente confortável, demonstram resistência em aceitar valores menores”.