O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, contribuindo para uma expansão de 2,3% da economia brasileira. Para 2026, a expectativa é de estabilidade no PIB agro, com crescimento projetado de 1,7% para a economia nacional, devido à menor rentabilidade e aumento da inadimplência entre os produtores. Mato Grosso do Sul se destacou com um crescimento de 18,6% no PIB agro em 2025, mas enfrentará o desafio de manter competitividade em um cenário de margens mais estreitas. A diversificação da produção no estado, incluindo a expansão na proteína animal e na indústria florestal, pode ajudar a mitigar os impactos de oscilações no mercado agrícola.
O Produto Interno Bruto da agropecuária encerrou 2025 com crescimento de 11,7%, desempenho que contribuiu de forma decisiva para a expansão de 2,3% da economia brasileira no período, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2026, no entanto, a expectativa é de um cenário mais moderado. A avaliação é da MacroSector Consultores, que projeta estabilidade para o PIB do agro neste ano. A consultoria também estima que o PIB nacional avance 1,7%, indicando desaceleração em relação ao resultado registrado em 2025.
De acordo com a análise, o enfraquecimento da rentabilidade no campo e o aumento da inadimplência entre produtores rurais podem impactar os volumes de produção, limitando o desempenho do setor nos próximos meses.
Após um ciclo de preços elevados e recuperação produtiva em 2025, o setor enfrenta agora um ambiente de margens mais apertadas. A combinação entre custos ainda elevados, crédito mais caro e redução nos preços de algumas commodities tende a reduzir o fôlego de expansão.
Com menor rentabilidade, parte dos produtores pode adotar postura mais conservadora, restringindo investimentos em tecnologia, ampliação de área ou aquisição de insumos. Esse movimento, segundo analistas, pode se refletir diretamente nos volumes colhidos e, consequentemente, no resultado final do PIB agropecuário.
A inadimplência no campo também aparece como fator de preocupação. O encarecimento do crédito, em um ambiente de juros elevados, amplia o risco financeiro das operações e pressiona o fluxo de caixa das propriedades rurais.
O cenário nacional encontra, em Mato Grosso do Sul, um ponto de contraste. Em 2025, o Estado registrou o maior crescimento do PIB agropecuário do país, com alta de 18,6%, acima da média nacional.
O desempenho colocou o Estado à frente de tradicionais potências do agronegócio e foi sustentado por forte produção de grãos, avanço na pecuária e expansão de cadeias industriais ligadas ao campo.
A possível estabilidade do PIB agro em 2026 não significa retração imediata, mas indica um ritmo menos acelerado. Para Mato Grosso do Sul, isso representa o desafio de manter competitividade mesmo em um ambiente de margens mais estreitas.
Especialistas avaliam que a estrutura produtiva do Estado pode funcionar como fator de equilíbrio. Além da soja e do milho, Mato Grosso do Sul ampliou a presença na produção de proteína animal e na indústria de base florestal, especialmente no setor de celulose.
Essa diversificação tende a reduzir a dependência de um único segmento e pode amortecer efeitos de oscilações específicas no mercado agrícola.
Ainda assim, o comportamento dos preços internacionais, o custo do crédito e a demanda externa serão determinantes para o desempenho do setor ao longo de 2026.
O agro segue como um dos principais motores da economia brasileira. A diferença, neste ano, está no ritmo: depois de um avanço expressivo, o setor pode entrar em uma fase de maior estabilidade, exigindo eficiência produtiva e controle rigoroso de custos para sustentar resultados.