Leite pressiona, boi reage e reforma tributária preocupa produtores em MS

Importação de lácteos, alta da arroba e incertezas fiscais redesenham cenário para produtores rurais de Mato Grosso do Sul.

- Gabriela Porto
26/02/2026 14h34 - Atualizado há 2 semanas
Leite pressiona, boi reage e reforma tributária preocupa produtores em MS
Leite importado e alta da arroba do boi impactam produtores rurais em Mato Grosso do Sul, enquanto reforma tributária gera incertezas. - Foto: Reprodução / Divulgação
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A entrada de leite subsidiado da Argentina e as incertezas sobre a reforma tributária pressionam os produtores rurais de Mato Grosso do Sul, enquanto a valorização da arroba do boi gordo oferece oportunidades para a pecuária de corte. O leite importado, a preços significativamente mais baixos, dificulta a rentabilidade local, levando os produtores a buscarem apoio do governo para priorizar compras de produtos locais.

No setor de pecuária de corte, a expectativa de redução na oferta de bezerros pode manter a alta nos preços da arroba, que já varia entre R$ 335 e R$ 340. Contudo, o aumento do custo do bezerro e as mudanças na tributação, como a elevação da alíquota do Funrural, complicam a situação financeira dos produtores.

Esse cenário de transição exige decisões estratégicas para investimentos e gestão do setor, afetando o desempenho das próximas safras.

A entrada de leite subsidiado da Argentina e as incertezas sobre a reforma tributária têm ampliado a pressão sobre os produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, a valorização da arroba do boi gordo cria oportunidade para a pecuária de corte, ainda que em meio a custos elevados.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Eduardo Monreal, o leite importado tem chegado ao Brasil a preços equivalentes a cerca da metade do valor praticado no país vizinho, o que contribui para o achatamento do preço pago ao produtor local.

“O faturamento diminui e o produtor passa a ter dificuldade para honrar compromissos”, afirma. O sindicato levou a preocupação ao governo estadual e defende medidas de fortalecimento da cadeia, como a priorização da compra de produtos locais.

Ciclo da pecuária de corte

Na bovinocultura de corte, o cenário é distinto. Após um período de abate elevado de fêmeas, o mercado começa a sentir a redução na oferta de bezerros, tendência que deve sustentar a alta da arroba nos próximos anos.

Em Mato Grosso do Sul, negócios recentes registraram valores entre R$ 335 e R$ 340 por arroba, acima das referências anteriores. Para Monreal, o momento é favorável, mas exige cautela:

“O produtor precisa aproveitar para investir em pastagem e se preparar para a seca. O ciclo da pecuária é de quatro a seis anos e muda”.

Apesar da valorização do boi gordo, a alta no preço do bezerro reduz a margem do invernista e pressiona os custos do confinamento.

Reforma tributária e Funrural

Outro ponto de atenção é a regulamentação da reforma tributária. A partir de abril, a alíquota do Funrural passará de 1,5% para 1,65%, enquanto a definição da alíquota geral do novo imposto sobre consumo segue indefinida.

“O produtor vai ter que entender a dinâmica de débito e crédito mensalmente. Ainda há muitas dúvidas”, afirma Monreal.

Questões como arrendamento, parcerias rurais e tributação de pessoa jurídica também estão no radar do setor. Para o sindicato, o risco é de aumento da carga tributária em um segmento que já opera com margens pressionadas e pouca política de subsídios.

Cenário de transição para o campo

Entre preços internacionais, ciclos pecuários e mudanças fiscais, o produtor rural enfrenta um cenário de transição, em que decisões de investimento e gestão podem definir o desempenho das próximas safras em Mato Grosso do Sul.


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