Aprosoja estima custo extra de R$ 93 milhões com nova jornada no campo em MS

Estudo aponta necessidade de 2,4 mil trabalhadores a mais para manter produção de soja e milho se mudança na jornada ocorrer sem transição.

- Gabriela Porto
26/02/2026 14h19 - Atualizado há 2 semanas
Aprosoja estima custo extra de R$ 93 milhões com nova jornada no campo em MS
Lavouras de soja e milho em Mato Grosso do Sul: estudo da Aprosoja calcula impacto de R$ 93,3 milhões com mudança na jornada de trabalho. - Foto: Reproduçao / Divulgação
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A proposta de reduzir a jornada de trabalho no campo em Mato Grosso do Sul pode gerar um custo adicional de até R$ 93,3 milhões anuais para as cadeias de soja e milho, segundo a Aprosoja/MS. Para manter a produção, os empregadores precisariam contratar cerca de 2.464 trabalhadores adicionais devido à redução de 16,6% na disponibilidade de trabalho. O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, enfatiza a necessidade de regras claras e a preservação de empregos no debate sobre a mudança. O impacto financeiro seria significativo, aumentando os custos operacionais da soja e milho em aproximadamente 0,25% e 0,27%, respectivamente, em um cenário onde as lavouras ocupam cerca de 7 milhões de hectares.

A possível redução da jornada de trabalho no campo já acende alerta em Mato Grosso do Sul. Levantamento da Aprosoja/MS aponta que, caso a chamada “modernização” da jornada seja aplicada sem período de transição ou mecanismos de compensação, o custo adicional anual para as cadeias produtivas da soja e do milho pode chegar a R$ 93,3 milhões.

O cálculo foi realizado pela área econômica da entidade e considera o impacto direto sobre a mão de obra formal nas duas culturas. Atualmente, segundo dados do Novo Caged analisados pela Aprosoja/MS, o Estado conta com 3.938 empregados com carteira assinada no milho e 10.908 na soja.

Redução da jornada e necessidade de novos trabalhadores

Com a redução da jornada, a disponibilidade anual de trabalho por funcionário cairia cerca de 16,6%. Para manter o mesmo nível de produção, os produtores teriam de contratar aproximadamente 2.464 trabalhadores a mais.

O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, destaca que o debate sobre jornada é legítimo, mas ressalta a importância do formato da mudança:

“Qualquer alteração venha acompanhada de regras claras e previsíveis, com avaliação de impacto por setor. Na visão da entidade, preservar empregos precisa ser um ponto central da discussão.”

Concorrência e janelas climáticas

Michelc lembra que o agronegócio opera sob forte concorrência internacional e depende de janelas climáticas rígidas para plantio e colheita.

“Na prática, isso significa que atrasos ou limitações de horário podem encarecer a operação e reduzir a competitividade da produção sul-mato-grossense”, explica.

Impacto por hectare e proporção nos custos

O estudo detalha que a adequação da escala de trabalho representaria um impacto de R$ 14,33 por hectare na soja e R$ 11,27 por hectare no milho. Em termos proporcionais, o aumento seria de 0,25% no custo operacional da soja e de 0,27% no milho.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, embora os percentuais pareçam pequenos à primeira vista, trata-se de um gasto permanente, que passa a integrar a estrutura fixa de produção.

Em um Estado onde as lavouras de soja e milho ocupam cerca de 7 milhões de hectares, ajustes aparentemente modestos acabam ganhando peso significativo nas planilhas dos produtores.


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