As importações de fertilizantes fosfatados nos EUA caíram mais de 50% em 2025 devido a preços elevados, oferta ajustada e deterioração das relações de troca para os agricultores. A compra de fosfato diamônico (DAP) e fosfato monoamônico (MAP) caiu significativamente, levando os produtores a adotar uma postura conservadora nas aquisições. O aumento das tarifas de importação e o custo elevado das matérias-primas também contribuíram para essa situação, afetando o planejamento agrícola. Essa retração nos EUA pode impactar o mercado global e influenciar os preços para os produtores em Mato Grosso do Sul, que dependem fortemente de fertilizantes.
As importações de fertilizantes fosfatados de alta concentração registraram uma queda expressiva nos Estados Unidos em 2025, revelando um cenário de pressão financeira no campo e incertezas no comércio internacional de insumos. O recuo, superior a 50% em alguns produtos, é reflexo direto da combinação entre preços elevados, oferta global ajustada e deterioração das relações de troca para os produtores rurais.
Relatório da consultoria StoneX aponta que as compras de fosfato diamônico (DAP) no país somaram pouco menos de 600 mil toneladas entre janeiro e dezembro do ano passado, volume 53% inferior ao registrado em 2024. Já as importações de fosfato monoamônico (MAP) ficaram próximas de 700 mil toneladas, representando retração de 34% na mesma base de comparação.
O movimento evidencia um comportamento mais conservador por parte dos agricultores norte-americanos, que passaram a priorizar aquisições pontuais e reduzir compromissos de grande volume.
O principal vetor da retração foi o desequilíbrio nas relações de troca — indicador que mede quantas sacas de grãos são necessárias para adquirir determinada quantidade de insumo.
Com fertilizantes em patamar elevado e preços de commodities agrícolas menos favoráveis, a capacidade de compra do produtor encolheu. A consequência foi uma estratégia de preservação de caixa, com postergação de compras e maior seletividade na aplicação de insumos.
Além disso, o mercado enfrentou restrições na oferta internacional, o que limitou a possibilidade de recuo nas cotações.
Tarifas e matérias-primas encarecem o produto
Outro fator relevante foi a instabilidade nas tarifas de importação ao longo de 2025. Mudanças nas alíquotas aumentaram a imprevisibilidade e dificultaram o planejamento de compras.
Os custos das principais matérias-primas utilizadas na produção de fosfatados, como amônia e enxofre, também permaneceram elevados durante o período. Esse cenário reduziu a margem para ajustes de preço e manteve o mercado pressionado.
O resultado foi um ambiente de cautela generalizada, com produtores ajustando doses e priorizando áreas consideradas mais estratégicas.
Os Estados Unidos figuram entre os maiores consumidores globais de fertilizantes fosfatados. Quando o país reduz o ritmo de compras, o impacto pode reverberar nos fluxos comerciais internacionais e na formação de preços.
Uma demanda mais fraca tende a aliviar parcialmente as cotações globais, mas o efeito depende do equilíbrio entre oferta e consumo em outras regiões, especialmente na América do Sul.
Para Mato Grosso do Sul, estado fortemente dependente da importação de fertilizantes, o cenário internacional é determinante no planejamento da próxima safra.
Com expansão constante da soja e do milho, além do fortalecimento da segunda safra, o custo dos insumos representa parcela significativa do investimento agrícola. Qualquer alteração no comportamento da demanda norte-americana pode influenciar os preços negociados por produtores sul-mato-grossenses.
Se a retração dos EUA contribuir para maior disponibilidade global, o Estado pode se beneficiar com condições comerciais ligeiramente mais favoráveis. Por outro lado, se a oferta continuar restrita e os custos de matérias-primas permanecerem elevados, o impacto sobre o orçamento do produtor pode persistir.
Analistas avaliam que o primeiro semestre de 2026 será decisivo para consolidar a tendência. O comportamento dos grãos no mercado internacional e a evolução das políticas tarifárias devem definir o ritmo das negociações.
Enquanto isso, o campo adota prudência. A palavra de ordem é eficiência: produzir mais, com menos risco, em um ambiente de margens apertadas e elevada volatilidade.