A queda nas cotações internacionais do cacau, quase 50% nos últimos meses, alerta a indústria alimentícia de Mato Grosso do Sul, mesmo que o Estado não produza a fruta. Consultorias indicam um superávit global nas próximas safras, sugerindo uma possível reestruturação do mercado. Embora a queda possa reduzir custos para empresas que usam derivados do cacau, a volatilidade dos preços e fatores climáticos ainda exigem cautela. O cenário também serve de aviso para outros produtores de commodities no Estado, pois a dinâmica global pode afetar rapidamente a economia local.
A forte queda nas cotações internacionais do cacau, que já acumulam retração de quase 50% nos últimos meses, acende sinal de atenção para a indústria alimentícia de Mato Grosso do Sul. Embora o Estado não seja produtor relevante da fruta, o movimento global pode influenciar custos, margens e planejamento das empresas que utilizam derivados do cacau como insumo.
Consultorias internacionais apontam para um cenário de superávit global nas próximas duas safras, indicando possível reorganização do mercado e nova fase de preços mais equilibrados após a disparada histórica registrada em 2024.
Para empresas sul-mato-grossenses que dependem da compra de chocolate ou derivados, a queda pode representar alívio nos custos, mas a volatilidade ainda impõe cautela.
A Fiems já destacou em análises anteriores que oscilações bruscas nas commodities dificultam o planejamento industrial, especialmente quando há dependência de insumos importados.
Mesmo com a retração recente, o mercado segue sensível a fatores climáticos nas regiões produtoras da África Ocidental, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.
A situação do cacau também serve de alerta para produtores de commodities em Mato Grosso do Sul. Assim como soja, milho e carne bovina, o cacau é altamente dependente de clima, mercado externo e decisões regulatórias internacionais.
O Estado, que tem no agronegócio um dos pilares da economia, já enfrentou ciclos semelhantes de alta e queda em preços internacionais. A dinâmica mostra como fatores externos podem alterar rapidamente receitas, investimentos e fluxo de exportações.
Embora o cacau não tenha peso direto na produção sul-mato-grossense, seus desdobramentos podem impactar a cadeia de alimentos industrializados e o comércio, especialmente em períodos de maior consumo.
A Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS (Semadesc) acompanha movimentos globais das commodities, já que variações internacionais influenciam decisões estratégicas de investimento e expansão industrial no Estado.
O atual cenário de superávit global projetado para 2025/26 e 2026/27 indica possível estabilização, mas especialistas reforçam que o clima ainda pode alterar rapidamente a dinâmica de preços.