Queda do cacau no exterior acende alerta na indústria de MS

Superávit global e preços em baixa podem impactar indústria alimentícia e reforçam debate sobre volatilidade das commodities

Gabriela Porto
20/02/2026 10h07 - Atualizado há 1 semana
Queda do cacau no exterior acende alerta na indústria de MS
Mercado global do cacau oscila entre projeção de superávit. - Foto: Reprodução / Divulgação
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A queda nas cotações internacionais do cacau, quase 50% nos últimos meses, alerta a indústria alimentícia de Mato Grosso do Sul, mesmo que o Estado não produza a fruta. Consultorias indicam um superávit global nas próximas safras, sugerindo uma possível reestruturação do mercado. Embora a queda possa reduzir custos para empresas que usam derivados do cacau, a volatilidade dos preços e fatores climáticos ainda exigem cautela. O cenário também serve de aviso para outros produtores de commodities no Estado, pois a dinâmica global pode afetar rapidamente a economia local.

A forte queda nas cotações internacionais do cacau, que já acumulam retração de quase 50% nos últimos meses, acende sinal de atenção para a indústria alimentícia de Mato Grosso do Sul. Embora o Estado não seja produtor relevante da fruta, o movimento global pode influenciar custos, margens e planejamento das empresas que utilizam derivados do cacau como insumo.

Consultorias internacionais apontam para um cenário de superávit global nas próximas duas safras, indicando possível reorganização do mercado e nova fase de preços mais equilibrados após a disparada histórica registrada em 2024.

Impacto na indústria

Para empresas sul-mato-grossenses que dependem da compra de chocolate ou derivados, a queda pode representar alívio nos custos, mas a volatilidade ainda impõe cautela.

A Fiems já destacou em análises anteriores que oscilações bruscas nas commodities dificultam o planejamento industrial, especialmente quando há dependência de insumos importados.

Mesmo com a retração recente, o mercado segue sensível a fatores climáticos nas regiões produtoras da África Ocidental, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.

Paralelo com o agro de MS

A situação do cacau também serve de alerta para produtores de commodities em Mato Grosso do Sul. Assim como soja, milho e carne bovina, o cacau é altamente dependente de clima, mercado externo e decisões regulatórias internacionais.

O Estado, que tem no agronegócio um dos pilares da economia, já enfrentou ciclos semelhantes de alta e queda em preços internacionais. A dinâmica mostra como fatores externos podem alterar rapidamente receitas, investimentos e fluxo de exportações.

Reflexo na economia estadual

Embora o cacau não tenha peso direto na produção sul-mato-grossense, seus desdobramentos podem impactar a cadeia de alimentos industrializados e o comércio, especialmente em períodos de maior consumo.

A Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS (Semadesc) acompanha movimentos globais das commodities, já que variações internacionais influenciam decisões estratégicas de investimento e expansão industrial no Estado.

O atual cenário de superávit global projetado para 2025/26 e 2026/27 indica possível estabilização, mas especialistas reforçam que o clima ainda pode alterar rapidamente a dinâmica de preços.


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