Exportações aquecidas devem sustentar alta da arroba do boi gordo

Frigoríficos ainda enfrentam oferta restrita de animais, enquanto a demanda externa segue em ritmo acelerado

- Gabriela Porto
11/02/2026 09h27 - Atualizado há 3 semanas
Exportações aquecidas devem sustentar alta da arroba do boi gordo
O mercado físico do boi gordo registrou preços mais altos no decorrer da primeira semana de fevereiro. - Foto: Reprodução / Divulgação / Acrisul
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Na primeira semana de fevereiro, o mercado físico do boi gordo viu preços em alta devido à oferta restrita de gado e à demanda aquecida, especialmente no mercado externo, onde as exportações foram positivas em janeiro.

Os preços da arroba variaram, com aumentos significativos em estados como Mato Grosso do Sul (R$ 322,50) e São Paulo (R$ 340,00). No mercado atacadista, houve alta nos preços dos cortes bovinos, influenciada pelos baixos estoques.

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram US$ 1,291 bilhão em janeiro, destacando a tendência de preço sustentada no mercado interno devido à combinação de oferta limitada e vendas externas consistentes.

O mercado físico do boi gordo registrou preços mais altos ao longo da primeira semana de fevereiro. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos ainda se deparam com oferta restrita de gado para compra, o que dificulta o avanço das escalas de abate.

“Tudo indica que os preços devem seguir avançando no curto prazo, já que a demanda permanece aquecida, especialmente no mercado externo. O desempenho das exportações brasileiras em janeiro foi bastante positivo, com destaque para Estados Unidos, Europa, China e outros destinos”, afirma o analista.

Preço médio da arroba

Na modalidade a prazo, os valores da arroba do boi gordo estavam assim no dia 6 de fevereiro:

  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 322,50, alta de 2,38% em relação aos R$ 315,00;
  • São Paulo (Capital): R$ 340,00, alta de 3,03% frente aos R$ 330,00 da semana anterior;
  • Goiás (Goiânia): R$ 323,00, avanço de 2,53% ante R$ 315,00;
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 322,00, incremento de 0,6% sobre os R$ 320,00;
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315,00, valorização de 1,61% frente aos R$ 310,00;
  • Rondônia (Vilhena): R$ 290,00, avanço de 3,57% sobre os R$ 280,00 praticados anteriormente.

Mercado atacadista

No mercado atacadista, Iglesias observa aumento nos preços dos cortes do dianteiro e do traseiro bovino.

“O baixo nível dos estoques nas indústrias ajuda a explicar o comportamento atípico dos preços da carne bovina no atacado, justamente em um período que costuma ser marcado por consumo doméstico mais fraco”, contextualiza.

Segundo ele, a queda nos preços da carne de frango e dos cortes suínos no atacado ainda não foi plenamente repassada ao varejo, o que contribui para manter o ambiente de firmeza na carne bovina.

  • Quarto do dianteiro: R$ 19,00 por quilo, alta de 5,56% frente aos R$ 18,00 do fim do mês anterior;
  • Quarto do traseiro: R$ 26,50 por quilo, avanço de 1,92% sobre os R$ 26,00 registrados anteriormente.

Exportações em alta

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 1,291 bilhão em janeiro (considerando 21 dias úteis), com média diária de US$ 61,522 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O volume embarcado atingiu 231,821 mil toneladas, com média diária de 11,039 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.573,20.

  • Na comparação com janeiro de 2025, houve:
  • alta de 42,5% no valor médio diário exportado;
  • crescimento de 28,6% na quantidade média diária;
  • avanço de 10,8% no preço médio da tonelada.

O cenário reforça a tendência de sustentação dos preços no mercado interno, especialmente diante da combinação entre oferta limitada de animais prontos para abate e ritmo consistente das vendas externas.


FONTE: Acrisul
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