Preços do bezerro sobem em MS e se aproximam do pico histórico registrado em 2021

Indicador Cepea na praça de Mato Grosso do Sul chega a R$ 14,88 por quilo na quinta semana de 2026

- Gabriela Porto
05/02/2026 08h28 - Atualizado há 1 mês
Preços do bezerro sobem em MS e se aproximam do pico histórico registrado em 2021
Alta do bezerro pressiona recria e invernada em MS. - Foto: Divulgação
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Os preços do bezerro alcançam níveis historicamente altos no início de 2026, especialmente em Mato Grosso do Sul, com um valor ajustado à inflação de R$ 14,88/kg, um aumento de 21,66% em relação a 2025. Apesar da valorização, o preço ainda está 17% abaixo do pico de 2021. A oferta limitada de bezerros, resultado de uma redução de investimentos anteriores, sustenta essa valorização, alavancando a procura por reposição. Entretanto, a deterioração da relação de troca entre bezerros e bois gordos impõe desafios aos recriadores, que devem focar na eficiência produtiva para manter a rentabilidade. A tendência é de uma maturação do ciclo, com menos intensidade de valorização prevista para o futuro próximo.

Os preços do bezerro voltaram a operar em patamares historicamente elevados no início de 2026, reforçando o cenário de reposição cara para a pecuária de corte brasileira, especialmente em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos de cria e recria do país. Dados do indicador Cepea, analisados pela consultoria Agrifatto, mostram que o valor do animal jovem se aproxima dos níveis máximos registrados no último grande ciclo de alta, em 2021.

Na quinta semana de 2026, o preço real do bezerro na praça de Mato Grosso do Sul atingiu R$ 14,88 por quilo, já corrigido pela inflação. O valor representa um avanço de 21,66% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o mercado ainda refletia um momento de maior oferta e pressão negativa sobre os preços da cria.

Preço se aproxima do recorde do último ciclo

Segundo a Agrifatto, apesar da forte valorização recente, o indicador ainda se mantém 17% abaixo do pico real observado em 2021, quando o preço do bezerro chegou a R$ 17,68/kg, nível considerado histórico para a pecuária brasileira.

“O preço atual permanece próximo dos extremos”, destaca a consultoria, ao apontar que o mercado da cria caminha para uma fase de maturação do ciclo de alta, típica dos períodos de retenção de fêmeas e redução da oferta de bezerros.

Oferta restrita sustenta valorização

O movimento de alta observado em 2026 está diretamente ligado à menor disponibilidade de bezerros no mercado, reflexo das decisões tomadas nos anos anteriores, quando muitos produtores reduziram investimentos na cria em função da rentabilidade mais apertada.

Com a recuperação gradual do boi gordo e a melhora das expectativas para a pecuária, a procura por animais de reposição voltou a crescer, enquanto a oferta segue limitada. Em estados como Mato Grosso do Sul, onde a cria tem papel estratégico na cadeia produtiva, esse desequilíbrio sustenta os preços em níveis elevados.

Relação de troca começa a se deteriorar

Apesar da valorização do bezerro favorecer os criadores, o cenário começa a impor desafios aos recriadores e invernistas. De acordo com a Agrifatto, a relação de troca entre bezerro e boi gordo apresentou recuo de 1,11% em janeiro de 2026, na comparação com dezembro de 2025.

Na média nacional, a relação ficou em 2,05 cabeças de boi gordo por cabeça de bezerro, indicando que o custo de reposição voltou a pesar no planejamento das etapas seguintes da produção.

Margem passa a depender da eficiência

Com o encarecimento da reposição, o ganho de margem dos recriadores e invernistas passa a depender cada vez mais da eficiência produtiva, especialmente nos sistemas de engorda a pasto e em confinamento.

Segundo analistas, fatores como manejo nutricional, ganho médio diário, taxa de lotação e controle de custos operacionais serão decisivos para preservar a rentabilidade em um ambiente de preços elevados do bezerro.

Cenário reforça virada do ciclo pecuário

O comportamento do mercado da cria em 2026 reforça a leitura de que a pecuária brasileira atravessa uma fase de virada de ciclo, marcada por retenção de matrizes, oferta reduzida de animais jovens e pressão altista sobre os preços.

Em Mato Grosso do Sul, onde a integração entre cria, recria e engorda é forte, o cenário exige planejamento estratégico, tanto para quem vende quanto para quem compra reposição.

Expectativas para os próximos meses

A Agrifatto avalia que a fase de maior ganho de preço da cria começa a se aproximar do seu limite, o que não significa queda imediata, mas sim menor intensidade de valorização ao longo dos próximos meses.

O comportamento do boi gordo, os custos de produção e as condições climáticas seguirão como fatores determinantes para a sustentação dos preços, especialmente em estados com forte peso na pecuária, como Mato Grosso do Sul.


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