Citricultura injeta R$ 2,4 bilhões e redesenha o agro em MS

Com expansão acelerada, setor avança sobre pastagens, atrai grandes grupos nacionais e projeta até 50 mil hectares de pomares até 2030

- Gabriela Porto
05/01/2026 10h51 - Atualizado há 2 meses
Citricultura injeta R$ 2,4 bilhões e redesenha o agro em MS
Fotos: Mairinco de Pauda/Semadesc
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Mato Grosso do Sul está passando por uma transformação na citricultura, com investimentos de R$ 2,4 bilhões e 35 mil hectares já prospectados. A meta é alcançar 50 mil hectares até 2030, impulsionada por grandes grupos como Cutrale e políticas públicas que garantem segurança sanitária e capacitação técnica. O setor vem recebendo reconhecimento por sua qualidade de solo e potencial produtivo, com a expectativa de se tornar um dos principais polos citrícolas do Brasil nos próximos anos. A irrigação eficiente e o acesso a crédito rural são fundamentais para o crescimento da atividade.

Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de transformação no campo. Com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados, a citricultura avança de forma acelerada no Estado e se consolida como uma das principais apostas do agronegócio para diversificação da base produtiva, geração de renda e atração de novos empreendimentos.

Atualmente, o Estado já contabiliza mais de 7 milhões de mudas de citros implantadas e trabalha com a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de maneira significativa sua participação na produção nacional de laranja.

Embora ainda não figure entre os maiores produtores do país, ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia, Mato Grosso do Sul vive um processo consistente de expansão, apoiado em fatores estratégicos como disponibilidade de terras, clima favorável, logística eficiente e segurança jurídica.

Grandes grupos impulsionam a expansão

Nos últimos anos, o potencial do Estado passou a atrair grandes grupos citrícolas nacionais, que vêm direcionando investimentos robustos para a região. Um dos principais exemplos é a Cutrale, que já possui grande parte dos seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e projeta alcançar até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares entrarem em plena produção.

Além da Cutrale, outros empreendimentos relevantes ampliaram presença em Mato Grosso do Sul, como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas, além de diversos produtores independentes que apostam na diversificação produtiva e no potencial da citricultura sul-mato-grossense.

Política pública e segurança sanitária

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da citricultura é resultado de uma estratégia estruturada, que combina investimentos privados com políticas públicas voltadas à sanidade vegetal, capacitação técnica e fortalecimento do ambiente de negócios.

“A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação de profissionais e parceria com instituições como o Fundecitrus. Isso tem dado confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável da atividade”, afirmou Verruck.

O fortalecimento da cadeia produtiva conta ainda com apoio técnico e institucional da Semadesc, incluindo ampliação da defesa agropecuária, programas de capacitação e atuação integrada com municípios e o setor produtivo para garantir sanidade, produtividade e sustentabilidade aos pomares.

Reconhecimento dos produtores

O ambiente favorável também é reconhecido pelos investidores. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, o citricultor Eduardo Sgobi destaca a singularidade da iniciativa estadual e a qualidade do solo sul-mato-grossense.

“Considero essa iniciativa governamental singular. Não conheço outra unidade da federação que esteja implementando algo semelhante. A qualidade do solo é impressionante. São áreas de pastagens com mais de 30 anos, sem uso intensivo de fertilizantes, o que demonstra a vitalidade e o potencial produtivo para a citricultura”, afirmou.

A empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, reforça a avaliação positiva. O grupo iniciou o plantio em abril de 2024 e já planeja novos projetos no Estado.

“Estamos muito motivados com os investimentos em Mato Grosso do Sul. O Estado tem colaborado de forma decisiva para que os projetos sejam construídos com solidez desde o início, evitando problemas enfrentados em outras regiões. Hoje, nossos principais desafios são energia e mão de obra, mas acreditamos que isso será superado com capacitação”, explicou.

Segundo Sarita, a formação de mão de obra especializada vem sendo construída desde o início da operação, com destaque para a crescente participação feminina no setor.

“Estamos treinando pessoas do zero, inclusive trabalhadores que nunca atuaram na agropecuária. Temos muitas mulheres interessadas e já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

Tendência e próximos passos

O avanço da citricultura evidencia uma tendência clara: mesmo fora do topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do país nos próximos anos, fortalecendo a economia regional e ampliando as oportunidades no campo.

“A citricultura já engrenou em MS. E para os próximos dois a três anos, o Estado vai trabalhar ainda mais para manter a sanidade, com tolerância zero ao greening, retenção de mão de obra indígena e redução do ICMS, que hoje é de 2% na saída da laranja”, ressaltou Verruck.

O secretário também destacou que o setor conta atualmente com praticamente 100% da área irrigada, o que reforça a importância do crédito rural.

“Por isso, as linhas do FCO continuarão sendo disponibilizadas para investimentos, principalmente em irrigação. Tudo isso para que, futuramente, assim que o Estado alcançar pelo menos 25 mil hectares de pomares em produção, seja possível viabilizar a tão sonhada industrialização da cadeia da citricultura”, concluiu.


FONTE: Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul
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