O fortalecimento da relação entre produtores e governos é crucial para manter o status de área livre de aftosa em Mato Grosso do Sul, conforme discutido no 8º Fórum PNEFA MS. O evento destacou a união do setor como estratégia para expandir o acesso aos mercados internacionais, com a apresentação de ações de vigilância sanitária pela Iagro. O estado registrou um aumento significativo na produção agrícola e diversificação de exportações, que totalizaram R$ 9,9 bilhões anuais. A logística, com a Rota Bioceânica, é vista como vital para integrar o estado aos mercados globais. O governo destaca a necessidade de inovação e sustentabilidade como pilares para o desenvolvimento econômico e a competitividade do estado.
O fortalecimento da relação entre produtores e os governos estadual e federal foi apontado como fundamental para a manutenção do status de área livre de aftosa em Mato Grosso do Sul. O tema norteou a fala do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante a abertura do 8º Fórum PNEFA MS, nesta quinta-feira (27). O encontro integra o Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para Febre Aftosa (PNEFA) e destaca a união do setor como caminho para ampliar o acesso de produtos sul-mato-grossenses ao mercado internacional.
O Fórum reúne representantes da Iagro, da Semadesc, produtores rurais, lideranças do agronegócio, técnicos, médicos-veterinários, zootecnistas, sindicatos e demais instituições ligadas ao setor público e privado. Também estiveram presentes o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, e o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta.
Durante o evento, Daniel Ingold apresentou as ações de vigilância sanitária realizadas pela Iagro, com destaque para o sistema digital adotado pela agência. Ele reforçou que a conquista da área livre de aftosa exige manutenção contínua. “A conquista da área livre de aftosa é uma grande conquista, porém, exige trabalho contínuo. Nosso governador e nossa equipe têm se dedicado a abrir esses mercados e demonstrar a viabilidade do Estado. A vigilância epidemiológica e a segurança sanitária são cruciais, especialmente para a proteção contra doenças como a febre aftosa, considerando a localização estratégica do Mato Grosso do Sul. A ausência de vacinação contra a aftosa não representa um risco, dado que o vírus foi erradicado. No entanto, a vigilância sanitária permanece rigorosa. Em caso de eventualidade, como a ocorrência de febre aftosa, nossa agência, que trabalha com inteligência e monitoramento territorial, está preparada para responder”, explicou.
Verruck reiterou a importância do status sanitário sem vacinação e das medidas adotadas para manter a qualidade do rebanho. “Acreditamos que alcançamos resultados significativos com a área livre de aftosa, colocando o Brasil em posição de destaque na sanidade agropecuária. Mas é fundamental estabelecer um programa de vigilância permanente. Nosso foco é manter essa vigilância”, ressaltou.
Mercados internacionais em expansão
Em sua palestra “Do MS para o Mundo: Ações do Governo para acesso a novos mercados”, o secretário apresentou dados que mostram o avanço da produção estadual. Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul ampliou em 516% sua área plantada com diferentes culturas. “Estamos ampliando áreas de grãos, cana-de-açúcar e florestas plantadas sobre pastagens, fortalecendo cadeias produtivas que contribuem para o desenvolvimento sustentável e competitivo”, afirmou.
Ele lembrou que o Estado mantém um dos maiores índices de crescimento econômico do país, impulsionado pelo agronegócio, pela industrialização e pelo aumento das exportações. “A transformação produtiva tem reposicionado o Estado como referência em equilíbrio entre produção, conservação ambiental e inovação tecnológica”, disse Verruck.
No campo ambiental, o Governo destaca iniciativas como o PSA Bioma Pantanal, o PSA Brigadas de Incêndio, o Plano de Desenvolvimento de Cadeias Produtivas e programas voltados ao uso múltiplo dos rios cênicos.
Segundo o secretário, Mato Grosso do Sul movimenta R$ 9,9 bilhões ao ano no comércio exterior, exportando para 170 países, com forte presença na Ásia, Europa e América do Norte. “As exportações são diversificadas e incluem proteínas animais, complexo soja, produtos florestais e outros itens relevantes da pauta agropecuária. A China permanece como principal destino, mas o Estado tem ampliado sua presença em mais de uma centena de países”, reforçou.
Ainda segundo Verruck, a abertura comercial conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária tem fortalecido a diversificação de produtos exportados pelo MS. “A diversificação de produtos e categorias fortalece a participação do Brasil — e do MS — no comércio mundial, com destaque para proteínas, frutas, sementes, material genético e produtos de origem animal e vegetal”, destacou.
O desempenho da proteína animal também foi citado. Conforme dados nacionais de 2024, o Estado ocupa o 7º lugar no ranking de exportações de carnes, com 6,54% de participação no total do país. As proteínas representam 17,93% das exportações sul-mato-grossenses, somando mais de US$ 1,9 bilhão e quase 490 mil toneladas enviadas ao exterior.
Verruck também ressaltou o avanço da plataforma de conformidade ambiental, desenvolvida em parceria com a União Europeia e universidades, que coloca o MS na dianteira do atendimento às exigências internacionais de rastreabilidade e desmatamento zero — contemplando cadeias como soja, milho e pecuária.
Entre os desafios citados estão as exigências europeias, os acordos internacionais, a comprovação de sustentabilidade, a recuperação de pastagens e a integração lavoura-pecuária-floresta. Também influenciam o cenário global questões como a transição tributária e o contexto geopolítico.
Logística como pilar estratégico
A logística também foi apontada como peça-chave para a expansão dos mercados. “A Rota Bioceânica consolida-se como o principal vetor de integração entre o Mato Grosso do Sul e os mercados do Pacífico, reduzindo distâncias, custos e prazos para o comércio exterior. A ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, já em fase final com mais 80% concluída e simboliza essa transformação. O Estado também avança em rodovias, hidrovias e ferrovias que dão suporte ao desenvolvimento produtivo”, afirmou o secretário.
Verruck encerrou reforçando que o diálogo com produtores, a inovação e a sustentabilidade seguem como bases da estratégia estadual. “O Governo de MS reforça que o diálogo com o setor produtivo, a inovação e a sustentabilidade são pilares essenciais para ampliar mercados, garantir competitividade e consolidar o Estado como referência mundial em produção sustentável”, concluiu.