Vale da Celulose: 53 vagas abertas em Santa Rita do Pardo

Seleção soma-se a 20 vagas de 2025 em Água Clara e mostra como o setor florestal gera empregos em cidades pequenas antes das fábricas abrirem

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Mauricio Thomsen/Pexels

Um processo seletivo aberto em setembro de 2026 oferece 53 vagas em Santa Rita do Pardo para funções de campo, operação e controle de qualidade ligadas à cadeia florestal. A cidade tem pouco mais de 7 mil habitantes, segundo estimativa populacional de 2025, e vê no setor de celulose uma via de empregos formais que antes era rara na região.

O caso não é isolado. Em Água Clara, município vizinho com 17,9 mil habitantes, uma seleção já havia aberto 20 vagas para auxiliares de campo em 2025. As duas cidades integram o Vale da Celulose, programa criado em 2025 para articular produção florestal, indústria, infraestrutura e qualificação de mão de obra em 12 municípios de Mato Grosso do Sul.

Emprego chega antes da fábrica

Água Clara já reunia cerca de 182 mil hectares de florestas plantadas e figurava entre os principais municípios florestais do país, mesmo sem uma fábrica de celulose instalada dentro do seu território. O estado como um todo soma aproximadamente 1,8 milhão de hectares de área plantada com espécies florestais, e a expansão segue avançando para Santa Rita do Pardo.

É esse ritmo de plantio, colheita e logística que sustenta as vagas de hoje, muito antes de qualquer linha de produção industrial ser inaugurada. Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, "a cadeia começa a movimentar a economia antes da inauguração de qualquer fábrica, por meio da contratação de trabalhadores, alimentação, transporte, manutenção de veículos e prestação de serviços".

Cursos tentam garantir vaga para quem já mora na região

A aposta do programa é que trabalhadores dos próprios municípios preencham boa parte dos postos abertos por viveiros, plantio, manejo florestal e operação de máquinas, funções que vão de auxiliar de campo a motorista, mecânico, eletricista e técnico florestal.

Em Água Clara, o programa estadual MS Qualifica já ofereceu cursos de Ajudante de Campo e Viveiro e de Fundamentos de Mecânica de Manutenção de Máquinas Agrícolas, na tentativa de formar mão de obra local antes que as vagas sejam disputadas por quem vem de fora. Para Riedel, esse caminho pode evitar que o trabalhador precise deixar a cidade para crescer profissionalmente: "o desenvolvimento se torna mais consistente quando o trabalhador consegue começar em uma função de campo, obter formação e avançar para manutenção, operação, supervisão ou atividade técnica sem precisar deixar sua cidade", afirma o governador.

Em municípios do tamanho de Água Clara e Santa Rita do Pardo, um punhado de vagas formais pode significar a diferença entre um bico ocasional e uma carteira assinada, o tipo de mudança que os dois governos municipais e o estado tentam transformar em política pública permanente.

Fontes: GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL