Milho: praça de Eldorado, em MS, tem queda de preço nesta terça (29)
Enquanto Chicago fecha de lado à espera do USDA, saca de milho recua em Eldorado, MS; veja os números do plantio no país
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O milho futuro fechou a terça-feira, 29 de setembro de 2026, praticamente estável na Bolsa de Chicago e na B3, mas quem vende a saca em Eldorado, no interior de Mato Grosso do Sul, sentiu o mercado de outro jeito: o preço físico recuou no município nesta segunda-feira, segundo levantamento de praças do setor. O dia foi de indecisão nos pregões internacionais, movidos por uma colheita mais lenta nos Estados Unidos, dólar mais forte frente ao real e a expectativa pelo relatório trimestral de estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que sai nesta quarta-feira (30).
O comportamento de lado nas bolsas reflete um cabo de guerra entre dois fatores que se anulam. De um lado, chuvas previstas para o Meio-Oeste americano atrasam ainda mais a colheita e dão sustentação a preços mais altos. De outro, a ausência de novidades comerciais entre Estados Unidos e China depois da cúpula entre os presidentes na semana passada tirou o fôlego dos compradores. Analista do Farm Futures, Bruce Blythe observou que o encontro não trouxe anúncios de grandes compras agrícolas chinesas nem mencionou o acordo, divulgado pela Casa Branca, para a China adquirir US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos.
Preço cai em Eldorado enquanto MS avança no plantio da safra verãoNo mercado físico brasileiro, a saca de milho perdeu valor em cinco praças nesta terça-feira, entre elas Eldorado, em Mato Grosso do Sul, além de Ubiratã e Marechal Cândido Rondon, no Paraná, Sorriso, no Mato Grosso, e Brasília. Só Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas no Mato Grosso, registraram alta no dia. O recuo em Eldorado acontece justamente na janela em que o produtor sul-mato-grossense negocia os últimos lotes da safra anterior e se prepara para o plantio da temporada verão.
O momento é sensível porque o avanço rápido da semeadura no país tem funcionado como fator de pressão sobre os preços futuros negociados na B3. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou, em levantamento semanal de acompanhamento de safras, que 29,1% da área de milho verão já está semeada no Brasil, com projeção de produção de 32,1 milhões de toneladas, alta de 8,9% sobre a temporada anterior. "Pelo segundo ano consecutivo, a tendência é de forte crescimento para a produção de milho verão no Brasil", apontou a consultoria em relatório.
Dólar sustenta contrato na B3, mas plantio limita altaNa avaliação da consultoria Agrinvest, os futuros do cereal na Bolsa Brasileira trabalharam sem direção definida nesta terça-feira: o dólar mais forte ante o real deu algum suporte aos preços, mas o ritmo acelerado da semeadura da primeira safra reforça a segurança sobre a janela de plantio e trava qualquer movimento mais forte de alta. O vencimento janeiro/2027 fechou a R$ 78,82, com ganho de 0,33%, enquanto o contrato de março/2027 avançou 0,31%, para R$ 81,27.
Em Chicago, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 fechou a US$ 5,22 por bushel, com queda de 0,19% frente ao pregão da véspera. O mercado agora se volta para o relatório de estoques do USDA, que pode trazer revisões nas estimativas de área plantada, produção e rendimento da safra americana e mexer no rumo dos preços já na quarta-feira. Antes disso, o próximo boletim semanal da Conab deve indicar se o ritmo de plantio em Mato Grosso do Sul segue acompanhando a média nacional.
Fontes: CONAB