Suzano cria reserva de 1.209 hectares de Cerrado em Ribas do Rio Pardo
Nova RPPN abriga tatu-canastra e catuaba ameaçada de extinção; unidade eleva para 25 as reservas federais protegidas em MS
Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA)
Uma área de 1.209 hectares de Cerrado nativo dentro de uma propriedade da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande, ganhou status de proteção permanente. A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cerrado Protegido foi reconhecida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por meio de portaria assinada no fim de agosto de 2026 e passa a ser administrada pelo Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos mantida pela empresa desde 1999.
A região abriga nascentes, cerrado stricto sensu, cerradão e veredas — um mosaico que sustenta parte da biodiversidade do bioma no estado. Levantamentos que embasaram o plano de manejo da unidade mapearam 164 espécies de flora distribuídas em 52 famílias botânicas e 363 espécies de fauna, entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. É nesse tipo de área, onde a vegetação nativa ainda resiste à pressão do avanço agropecuário, que a proteção formal ganha peso: sem ela, fragmentos como esse tendem a desaparecer sob lavoura ou pastagem em poucos anos.
Espécies ameaçadas dependem da reserva para sobreviverEntre os animais registrados na área estão o tatu-canastra (Priodontes maximus), o mutum-de-penacho (Crax fasciolata), a anta, o tamanduá-bandeira, a queixada, o macaco-prego e o lobo-guará. As duas primeiras espécies constam como prioritárias na abordagem RHINO da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), justamente por dependerem de grandes extensões de habitat preservado para se manter. Na flora, o destaque vai para a catuaba (Anemopaegma arvense), classificada como "Em Perigo" na lista nacional de espécies ameaçadas.
"A criação da RPPN Cerrado Protegido é um passo concreto para a conservação do Cerrado no Mato Grosso do Sul. A área reúne nascentes, diferentes tipos de vegetação nativa e espécies que dependem de grandes extensões preservadas, como o tatu-canastra e o mutum-de-penacho", afirma Beatriz Greco Tavora, gerente de Sustentabilidade da Suzano e do Instituto Ecofuturo. Segundo ela, a gestão do Ecofuturo deve ampliar pesquisas de monitoramento de fauna e flora e criar ações de educação ambiental voltadas a jovens da região.
MS chega a 25 reservas federais e Suzano soma 12,6 mil hectares protegidosCom o reconhecimento pelo ICMBio, Mato Grosso do Sul passa a contar com 25 RPPNs federais — número que mostra como o estado vem se tornando um dos polos de conservação privada do Cerrado no país, muitas vezes em terras de empresas do setor florestal e agropecuário. Os 1.209 hectares reconhecidos como reserva fazem parte de uma área ainda maior destinada à conservação pela Suzano no local, de cerca de 3.543,5 hectares, que combina proteção formal com programas de manejo da vegetação e dos recursos hídricos.
A nova unidade é a nona RPPN da Suzano no Brasil, espalhadas por quatro estados e três biomas, somando 12.697 hectares protegidos sob essa categoria — parte do Compromisso Público de Conservação e Restauração da Biodiversidade da empresa. Entre as ações previstas para a área em Ribas do Rio Pardo está o projeto Entorno, de educação ambiental voltado a jovens da região, desenvolvido em parceria com a organização OBB Brasil.
Fontes: ICMBIO; SUZANO; INSTITUTO ECOFUTURO; PERFIL NEWS