Edital em Bonito e Jardim libera R$ 2,4 mi para proteger rios da Bodoquena
Governo de MS dobra valor e prazo da Patrulha Ambiental que atua nas bacias do Formoso, da Prata, Betione e Salobra até 2028
Arte/MSConecta
O Governo de Mato Grosso do Sul publicou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, um edital de até R$ 2,4 milhões para contratar a organização que vai comandar a Patrulha Ambiental da Serra da Bodoquena pelos próximos 24 meses. A missão da equipe selecionada é evitar que a erosão do solo despeje sedimentos nos rios que sustentam o turismo de flutuação da região — entre eles o Formoso, o da Prata, o Betione e o Salobra, que cortam Bodoquena, Bonito, Jardim e Miranda.
O valor do novo edital é o dobro do que o Estado destinou na última seleção, feita em 2022, quando R$ 1,2 milhão bancaram 12 meses de operação com máquinas compradas por recursos federais da Sudeco. De lá para cá, quem tocou o serviço foi o Instituto Taquari Vivo, responsável por metas como construir 80 quilômetros de terraços e recuperar 30 quilômetros de estradas vicinais na bacia. Agora, com prazo e orçamento dobrados, a expectativa é de um trabalho mais contínuo — e menos exposto a interrupções entre uma seleção e outra.
Como funciona a operação nas bacias da BodoquenaA organização vencedora não vai precisar comprar nada: o Estado cede toda a frota, que inclui terraceador, retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhões. Em troca, cabe à entidade contratar gerente e operadores, pagar combustível, manutenção, pneus e peças, além de publicar um balanço dos resultados a cada seis meses. O dinheiro sai do Fundo de Regularização de Terras (Funter), e a conta de R$ 2,4 milhões em 24 meses equivale a uma média de R$ 100 mil por mês para manter pessoal, combustível e máquinas rodando.
Na prática, o trabalho da patrulha é construir terraços em curvas de nível — estruturas que freiam a força da água da chuva antes que ela arraste terra até os rios — e recuperar estradas vicinais que, sem manutenção, viram verdadeiros corredores de lama em temporais. É um trabalho de prevenção que responde diretamente à fragilidade geológica da região: a formação calcária da Serra da Bodoquena é o que garante as águas transparentes e as cavernas que atraem turistas do Brasil inteiro, mas o mesmo solo é extremamente sensível ao carregamento de sedimentos.
Regra de conservação nasceu depois de rio ficar turvo em 2018O caso que expôs o problema aconteceu em novembro de 2018, quando trechos do Rio da Prata usados para flutuação amanheceram turvos após chuvas fortes sobre áreas agrícolas vizinhas. A resposta do governo veio em março de 2019, com regras de conservação do solo para propriedades nas bacias do Formoso e do da Prata — obrigação que depois passou a valer também para as bacias do Betione e do Salobra. A Patrulha Ambiental é hoje o braço prático dessa política.
O resultado da conservação dos rios aparece direto na conta do turismo. Bonito recebeu 293.712 visitantes em 2025, segundo o observatório de turismo do município, com o valor médio dos ingressos de passeios batendo recorde em R$ 240,29. Ainda assim, o primeiro semestre de 2026 trouxe um sinal de alerta: o movimento de turistas caiu 11% na comparação com o mesmo período do ano anterior, o que reforça a pressão para manter os rios da região em condições que sustentem o principal cartão-postal do turismo em Bodoquena e cidades vizinhas.
Fontes: GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL; A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE