Método mineiro transforma monitoramento de árvores em negócio de R$ 1,2 milhão
Rastreabilidade individual de mudas em Minas Gerais atinge 99,7% de sobrevivência e abre caminho para compensação ambiental em áreas como o Cerrado de MS
Arte/MSConecta
Uma fazenda no sul de Minas Gerais transformou o plantio de árvores nativas em um negócio de R$ 1,2 milhão ao apostar em um sistema que dá a cada muda o equivalente a um registro de identidade. O método, batizado de Pé de Árvore Saudável, combina fotos em solo, imagens de drone e georreferenciamento por satélite para acompanhar, uma a uma, mais de 22 mil árvores plantadas desde 2024 na Fazenda Copaíba, em Pouso Alegre.
O resultado prático desse controle é uma taxa de sobrevivência de 99,7% das mudas — bem acima dos 75% normalmente exigidos em contratos de compensação ambiental firmados com órgãos públicos. Para quem lida com licenciamento e recuperação de áreas degradadas, esse é o tipo de número que separa um projeto que cumpre a lei de um que só existe no papel, um problema recorrente em regiões de expansão agrícola como o interior de Mato Grosso do Sul, onde a pressão por regularizar reserva legal e áreas de preservação permanente é constante.
Cada árvore com nome, RG e endereçoO engenheiro industrial Fábio Garcia Filho, sócio-proprietário da fazenda e criador do método, explica que a inovação não está na botânica, mas na gestão. Em lotes específicos, conforme a exigência de cada cliente, as mudas recebem identificação individual, uma lógica de rastreio que lembra o controle usado na pecuária de precisão. "Defendemos que plantar árvores é simples. A inovação está no modelo de negócio que viabiliza o plantio e na tecnologia que permite identificar e acompanhar individualmente cada muda. É como ter o nome, o RG e o endereço de cada árvore na palma da mão", afirma Garcia Filho.
Essa granularidade de dados é o que permite à propriedade localizar perdas rapidamente, repor mudas mortas e, principalmente, comprovar a empresas e órgãos ambientais que o serviço de compensação foi de fato entregue. Com apenas 10 hectares destinados ao projeto, a fazenda já viabilizou o licenciamento ambiental de oito empreendimentos, faturando o equivalente a anos de colheita convencional na mesma área.
Terra que não planta grão pode virar renda ambientalO modelo se apoia no conceito de Pagamento por Serviços Ambientais, mecanismo que atribui valor econômico a atividades de conservação florestal. Na prática, encostas, margens de rios e outras áreas sem aptidão para grãos — que em muitas propriedades ficam ociosas ou geram passivo ambiental — passam a produzir receita através da reflorestamento nativo monitorado.
Segundo Garcia Filho, o faturamento pode chegar a R$ 200 mil por hectare nesse tipo de compensação, valor que supera o retorno de safras tradicionais na mesma extensão de terra ao longo de vários anos. É um dado que interessa diretamente a produtores de regiões como o Cone Sul e o Bolsão de Mato Grosso do Sul, onde áreas de baixa produtividade em meio a grandes lavouras de soja e milho frequentemente ficam sem uso definido — e onde a exigência de compensação ambiental para novos empreendimentos, especialmente industriais e de celulose, tende a crescer nos próximos anos.
Fontes: FAZENDA COPAÍBA; CANAL RURAL