Suinocultura: poder de compra do produtor cai pelo 3º mês seguido
Cepea aponta que milho e farelo de soja mais caros em setembro pesam sobre margem de quem cria suínos; MS é grande produtor de milho para ração
Gregg Yan/Wikimedia Commons (CC BY-SA)
O suinocultor brasileiro está precisando destinar uma fatia cada vez maior da própria receita só para comprar a ração dos animais. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP, mostra que o poder de compra do produtor paulista frente a milho e farelo de soja caiu pelo terceiro mês consecutivo em setembro de 2026, período em que os dois insumos ficaram mais caros ao mesmo tempo em que o preço médio do suíno vivo recuou.
O cálculo, que considera dados parciais até 22 de setembro, expõe um desequilíbrio que incomoda quem vive da criação de porcos: o custo da alimentação animal sobe mais rápido do que o valor recebido pela venda do animal pronto para o abate. Na prática, isso significa menos margem de lucro num negócio que já opera com folga apertada, já que ração responde pela maior parte do custo de produção na suinocultura.
Milho puxa alta dos insumos e pressiona o produtorSegundo o Cepea, a valorização do milho e do farelo de soja foi o principal fator por trás da piora na relação de troca. Como os dois grãos são a base da dieta dos suínos, qualquer alta nesses insumos se reflete diretamente no bolso de quem cria os animais — e Mato Grosso do Sul entra nessa conta como um dos estados que mais fornece milho para a indústria de ração no país, o que aproxima o produtor sul-mato-grossense diretamente do mesmo movimento de preços monitorado pelo centro de pesquisa.
Mesmo com o cenário desfavorável na comparação de custos, o mercado do suíno vivo teve sinais de recuperação ao longo de setembro. As cotações registraram altas em boa parte do mês, muito por conta do aumento da procura do consumidor final pela carne suína, que levou a indústria frigorífica a buscar mais lotes de animais para abate.
Segunda quinzena foge do padrão sazonalA média mensal do suíno vivo, ainda assim, fechou abaixo do valor registrado em agosto — resultado puxado pela queda pontual de preços observada logo na primeira semana de setembro, segundo os pesquisadores do Cepea.
O que chamou atenção dos analistas foi o comportamento da segunda quinzena do mês. Tradicionalmente, esse período costuma trazer queda na demanda por carne suína, à medida que o poder de compra do consumidor se esvai depois do recebimento dos salários no início do mês. Em setembro de 2026, porém, as cotações seguiram subindo mesmo nesse intervalo, o que tem alimentado certo otimismo entre suinocultores. Para que o poder de compra volte a melhorar, contudo, a alta do suíno vivo ainda precisa avançar o suficiente para compensar o encarecimento de milho e farelo de soja — o que, até o fechamento da parcial de setembro, não havia ocorrido.
Fontes: CEPEA/ESALQ-USP; CANAL RURAL