Soja sobe em Chicago na véspera de Trump-Xi; produtor de MS observa

Contrato de novembro avança a US$ 13,25 por bushel com expectativa sobre compras chinesas; safra dos EUA já colhida em 12% da área

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Arte/MSConecta

A soja negociada na Bolsa de Chicago abriu esta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, em alta, recuperando parte do que havia perdido na sessão anterior. O contrato com vencimento em novembro subia 7,50 pontos, cotado a US$ 13,25 por bushel, por volta das 7h20 no horário de Brasília, enquanto Washington se prepara para receber o presidente chinês Xi Jinping em encontro com Donald Trump.

Para quem produz soja em Mato Grosso do Sul e acompanha os prêmios pagos nos portos, esse tipo de movimento em Chicago funciona como termômetro antecipado do que pode acontecer com a cotação interna da oleaginosa nas próximas semanas. O mercado físico brasileiro já vinha sustentando preços firmes mesmo em dias de queda nos EUA — algo que o próprio MSConecta registrou recentemente, quando a alta em Chicago abriu espaço para produtores sul-mato-grossenses travarem preços de venda.

O que está em jogo na mesa entre Trump e Xi

O encontro entre os dois presidentes coloca a soja no centro da pauta comercial. Produtores americanos pressionam por mais compras chinesas e pela redução das tarifas retaliatórias impostas por Pequim, enquanto o mercado tenta confirmar se a China vai honrar o compromisso — anunciado pela Casa Branca, mas nunca confirmado publicamente pelos chineses — de comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028.

Esse detalhe importa porque, segundo o levantamento mais recente, as compras chinesas já caminham para metade dessa meta anual: no início de setembro, a China adquiriu cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos em uma única operação. Ainda assim, uma tarifa adicional de 10% sobre produtos americanos segue no radar e limita a competitividade da soja dos EUA entre os esmagadores privados chineses — um obstáculo que pode ou não ser tema de negociação direta entre os dois líderes nesta quinta-feira.

Colheita nos EUA avança mais rápido que a média

Enquanto a política comercial dita o humor do pregão, os fundamentos de oferta seguem pressionando por baixo. A colheita da soja nos Estados Unidos atingiu 12% da área até o último domingo, ritmo mais acelerado que a média dos últimos cinco anos, que era de 8% no mesmo período. Essa entrada mais rápida da nova safra amplia a disponibilidade física do grão justamente no momento em que o mercado americano precisa sustentar um volume forte de exportações para justificar preços mais altos.

O próximo indicador a mexer com o pregão é o relatório semanal de vendas para exportação do USDA, também aguardado nesta quinta-feira. Para o produtor de MS, que segue negociando parte da safra à espera de sinais mais claros do desfecho comercial entre as duas maiores economias do mundo — postura já observada em reportagem anterior do MSConecta —, o resultado do encontro em Washington pode ser o gatilho que faltava para decidir entre vender agora ou esperar mais.

Fontes: USDA; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS